Emprego e renda continuarão pressionando a inflação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Flavio Leonel <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - O atual cenário aquecido do mercado de trabalho permanecerá trazendo impacto para a inflação, já que as taxas de desemprego estão estabilizadas e o rendimento real dos trabalhadores está em alta. A avaliação é do economista responsável pelo Departamento Econômico da Concórdia Corretora, Flávio Combat, que, em análise específica sobre a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de maio, reiterou que continua trabalhando com uma expectativa de que a taxa de desemprego média de 2011 chegará ao final do ano na marca de 6,4% ante o nível de 6,7% observado em 2010.
''A estabilidade da taxa de desemprego, conjugada ao aumento, ainda que na margem, do rendimento real e, portanto, da massa salarial, indica que o mercado de trabalho deverá continuar pressionando a inflação nos próximos meses - mesmo porque os níveis de desemprego se encontram em patamares muito baixos, quando considerados em perspectiva'', escreveu Flávio Combat.
Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, por meio da PME, que a taxa de desemprego média nas seis principais regiões metropolitanas do País, sem ajuste sazonal, repetiu, em maio, a marca de 6,4% verificada em abril. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 6,20% a 6,90%, com mediana de 6,40%. Segundo o instituto, representou o menor resultado para o mês de maio desde 2002, quando o instituto realizou a reformulação da pesquisa.
A Concórdia Corretora, que participou do levantamento do AE Projeções, trabalhava com uma expectativa de taxa de 6,60%. O economista da instituição destacou que o resultado efetivo de maio mostrou uma ''acomodação do mercado de trabalho'', com a taxa de desemprego mantendo-se estável ante o número de abril.
Quanto ao rendimento dos trabalhadores, Combat destacou a alta de 1,1% verificada em maio ante abril. ''O rendimento médio real dos trabalhadores atingiu R$ 1.566,70 em maio. Trata-se do valor mais alto para o mês de maio desde 2002. Essa elevação reflete os efeitos do recuo da pressão inflacionária, no período mais recente, sobre o poder de compra do trabalhador'', analisou.


