Emprego deve reagir já em junho, prevê pesquisador
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - Os efeitos do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no nível de emprego podem começar a aparecer a partir de junho. Na avaliação do professor do Instituto de Economia do Trabalho da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), Claudio Dedecca, é possível prever uma queda de até 2 pontos no índice de desemprego medido pela Fundação Seade/Dieese, o que representaria cerca de 200 mil novas vagas na Região Metropolitana de São Paulo.
Dirigentes sindicais também acreditam em melhora no quadro atual, mas consideram que o crescimento de 2,7% do PIB no primeiro trimestre é insuficiente para uma melhora substancial no mercado. ''Este crescimento já estava previsto e alguns resultados estão aparecendo, mas para gerar mais vagas são necessárias medidas complementares'', diz o presidente da CUT, Luiz Marinho. Ele cita por exemplo a redução dos juros e a criação de frentes emergenciais de trabalho.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, acredita em ''algum refluxo a partir de agosto'', porém só um crescimento consistente daria segurança para novas contratações. ''Hoje não há certeza da continuidade desse ritmo e há muita desesperança entre o empresariado.''
Mesmo que se confirme a redução de cerca de 10% no estoque de desempregados, calculado em 2,044 milhões de trabalhadores pelo Dieese, Dedecca ressalta que a População Economicamente Ativa (PEA) sempre cresce em fases de recuperação econômica e, por isso, os índices de desemprego tendem a continuar elevados. ''A reação é lenta, pois o País vem de longo período de deterioração e precariedade nas condições de trabalho.''
O pesquisador também alerta para o aumento da informalidade. Em sua opinião, a recuperação consistente só deve ocorrer com aumento médio do PIB de 5%, por período prolongado.


