'Emprego de R$ 1 mil não justifica fim da Muralha'
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terça-feira, 03 de julho de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
O prefeito Barbosa Neto (PDT) desqualificou os empregos que novos hipermercados poderão gerar em Londrina caso a Lei da Muralha seja derrubada em votação definitiva hoje na Câmara Municipal. Segundo o prefeito, as vagas de trabalho não compensam os riscos que ele enxerga para a cidade e para os moradores se a lei for revogada.
Reportagem da FOLHA publicada no sábado mostra que as redes de hipermercados Condor e Angeloni pretendem instalar três lojas em Londrina, gerando 1.100 postos de trabaho. Para Barbosa, ''empregos na faixa de R$ 1 mil'' não compensam o ''impacto negativo tremendo'' que a derrubada da Muralha poderá causar.
O prefeito defende a lei alegando que ela promove a qualidade de vida na cidade ao impedir grandes empreendimentos geradores de tráfego. ''Hoje (ontem), a reportagem (da FOLHA) está mostrando quanto custa para o SUS atender as vítimas de acidentes de motocicletas. Isso é consequência da falta de um planejamento mais elaborado'', afirma.
A Lei da Muralha (9.689/2005) impede a implantação de novos supermercados com mais de 1.500 metros de área de venda e de casas de material com mais de 500 metros de área de venda em praticamente toda a cidade. Na quinta-feira da semana passada, a Câmara aprovou em primeira discussão o projeto de lei 161/2011, do vereador Roberto Fú (PDT), que revoga a Muralha. Se aprovado novamente hoje, o projeto segue para sanção do prefeito.
Barbosa Neto, que vem defendendo a Muralha desde o ano passado, negou que já tenha decidido vetar a lei, mas deu a entender que esta é a maior probabilidade. ''Eu faço a seguinte analogia: o que seria do campo se não tivessem as matas ciliares para proteger os rios, se não houvesse a vegetação para preservar as nascentes. Os rios seriam assoreados e morreriam'', disse ele após cerimônia de inauguração da Casa do Trabalho, na Zona Leste, na qual serão atendidas mulheres egressas do sistema prisional.
Questionado se a analogia poderia ser interpretado como uma decisão pelo veto, ele respondeu que precisa conversar com o ''pessoal do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) e com a Procuradoria do Município''.
Perguntado o que achou da prisão na semana passada do empresário Anderson Fernandes, ele respondeu: ''Não vou discutir porque não sei em que circunstâncias aconteceu''. Fernandes, que atua no comércio de material de construção, foi preso pelo Grupo de Atuação Especial ao Combate do Crime Organizado (Gaeco) suspeito de ter oferecido propina ao vereador Roberto Fú para manter a Muralha. O vereador recusou a proposta. Fernandes já deixou a prisão.
Muralhinha
O prefeito negou que o novo Código de Posturas, aprovado em dezembro do ano passado, o impeça de inaugurar o Restaurante Popular, próximo ao Terminal Urbano, no Centro. Uma emenda incluída na lei pelo vereador Jacks Dias (PT) diz que estabelecimentos que concentram pessoas não podem ser instalados a menos de 300 metros de postos de combustíveis.
O restaurante, que ainda não recebeu alvará de funcionamento, não obedece a esse critério. ''Não tem nada a ver'', disse o prefeito. A presidente do Ippul, que também estava na solenidade, afirmou que o restaurante já havia sido autorizado antes do novo Código de Postura. E que, por isso, não haverá problema na sua liberação.
Estranhamento
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, estranhou a relação feita pelo prefeito entre queda da Muralha e acidentes de trânsito. ''Acho estranho alegar que empreendimentos causem mortes no trânsito. O que provoca essas mortes é falta de planejamento, falta de um sistema viário adequado e de um transporte público eficiente que compense mais que andar de moto'', disse. .
Benvenho ironizou as declarações de Barbosa: ''Acho que preciso cursar mais algumas faculdades para entender isso (relação da derrubada da Muralha com acidentes)''.


