Emprego cresceu 190% em Londrina
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sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Londrina gerou 3.713 postos de trabalho nos primeiros seis meses do ano contra 1.278 registrados no mesmo período de 2003. Isto significa um crescimento de 190%, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Acredito que, até dezembro, chegaremos a 7,2 mil novos empregos, disse o gerente local do Sine, Mauro Viecilli.
Na opinião de Gabriel Ribeiro de Campos, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), o otimismo dos empresários nasceu das ações adotadas pelos governos municipal e estadual nos últimos anos. De maneira geral, todos os setores foram beneficiados, mas os serviços com ênfase para a educação de nível superior , o comércio e as indústrias têxteis são os que mais cresceram.
O Sine de Londrina oferece, em média, 600 novas vagas por mês, das quais 60% são preenchidas. De acordo com Viecilli, o maior impecilho é a falta de qualificação. Em julho, por exemplo, 4.078 pessoas candidataram-se a 903 vagas, 2.458 foram encaminhados para seleção e apenas 489 foram contratados. A maioria dos desclassificados não têm o Ensino Médio e aqueles que possuem o certificado apresentam dificuldade até na comunicação, explicou.
Costureira industrial, açougueiro, padeiro e operário da construção civil figuram entre as profissões mais carentes de mão-de-obra especializada. Para amenizar essa deficiência o Sine oferece cursos de capacitação com verba do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e também do município.
A experiência de sete anos como motorista e a especialização no transporte de cargas perigosas alimentam as esperanças de Lourival dos Santos Silva, 28 anos, encontrar uma nova oportunidade nos próximos dois meses. Com a proximidade do final do ano, as empresas de ônibus e transportadoras precisam aumentar o quadro de funcionários para atender a demanda, prevê Silva, que está desempregado há três meses e entrega compras de supermercado em sua moto para ajudar nas despesas da casa.
Coincidentemente, esse é o emprego que Ademilson Dias Santos, 21, procura desde abril. Com o dinheiro do seguro-desemprego ele comprou uma motocicleta, mas a falta de experiência o impede de conquistar seu objetivo. Não queria trabalhar como mototaxista porque é muito perigoso. Mas, se daqui um mês não aparecer nada, será a única solução, afirma o rapaz que trabalhou também como servente de pedreiro, auxiliar de cozinha e serviços gerais, porém, possui apenas a 4ªsérie do Ensino Fundamental.
Situação tão ou mais grave é de Claudinei Batista, 42, que está desempregado há quatro anos e desde então vive de bicos em serviços braçais. No final do ano, termino o supletivo do Ensino Fundamental e Médio, mas a idade atrapalha muito, justificou Batista que, atualmente, busca uma vaga como porteiro.


