Rio - Um relatório elaborado pelo Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI) consolidando dados sobre o desempenho das economias regionais entre 1985 e 1995 mostra que os Estados mais ricos continuam concentrando a maior fatia da renda brasileira. A participação da região sudeste no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro aumentou de 58,18% para 62,80% em uma década e a região ainda recebe 61% de todo o Imposto sobre a Arrecadação de Mercadorias e Serviços (ICMS) gerado no País. A boa notícia é que cresceram as taxas de produção industrial e de emprego nos Estados mais pobres.
Na região Norte, o emprego na indústria de transformação cresceu 3,7% e no Centro-Oeste, 2,2%, ao contrário da média brasileira, que teve desempenho negativo de 0,1%, resultado idêntico ao da região Sudeste. Em 1995, a produção industrial de Pernambuco cresceu 5,9%, enquanto a média brasileira ficou em 1,8%, pouco acima do crescimento registrado em São Paulo (1,7%), que naquele ano concentrava 37,45% do PIB brasileiro. A boa performance de Pernambuco, segundo o sub-chefe do departamento econômico da CNI, Flávio Castello Branco, só foi possível devido à recuperação do setor sucro-alcooleiro, predominante na economia do Estado.
Na comparação das taxas de crescimento do emprego em todas as atividades (o que inclui a indústria de transformação e o setor extrativo-mineral), os destaques ficaram com Amazonas (4,2%), Mato Grosso (1,9%), Ceará (1,8%), Rio Grande do Norte (1,7%) e Rondônia (1,5%), que tiveram performance superior à média brasileira (0,1%).
Segundo Flávio Castello Branco, esse crescimento do emprego nas regiões mais pobres reflete o início de um processo de mudança por parte de alguns Estados na atração de investimentos (principalmente de indústrias têxteis e de calçados).
‘‘Já é possível notar o deslocamento das empresas de São Paulo, Rio Grande do Sul e do Paraná, que foram para o Norte e Nordeste em busca de mão-de-obra mais barata do que na região Sul’’, afirma Castello Branco, enfatizando que os resultados da guerra fiscal entre os Estados ainda não foi medido pelas estatísticas.
Para o economista, a tendência de crescimento do emprego nos Estados menos industrializados ainda não está consolidada, mas ele ressalta que se as taxas continuarem ascendentes, haverá redução do fluxo migratório. ‘‘Do ponto de vista da distribuição regional de emprego isso é muito bom’’, observa, ressaltando que isso ainda não demonstra uma ‘‘mudança radical’’ na estrutura econômica do País.
Outro ponto que chamou a atenção do economista foi a volta do Rio de Janeiro (com 13,17%) ao segundo lugar no ranking de participação no PIB brasileiro em 1995, posição que tinha sido perdida em 1990 para Minas Gerais. Na produção de celulose, o Espírito Santo tomou o lugar do Paraná no segundo lugar do ranking (1,042 milhão de toneladas em 95), devido aos investimentos da Aracruz Celulose naquele Estado.
Na opinião de Castello Branco, o crescimento zero do emprego em todas as atividades da indústria paulista em 1995, que apresentou crescimento negativo de 0,4% considerando-se apenas a indústria de transformação, reflete a própria situação brasileira.
Na comparação feita pela CNI é possível notar que a taxa média de emprego no Brasil, que cresceu 3,2% entre 1986 e 1989, vem apresentando baixa performance desde o início da década, quando caiu 2,2%. Entre 1993 e 95 o resultado foi ligeiramente positivo (0,1%). ‘‘A indústria paulista é voltada para a produção de bens de consumo duráveis e bens de capital, que foram muito prejudicados pela política de controle da demanda, que resultou no aumento dos juros e na redução do crédito’’, afirma.
Os dados foram organizados pela CNI com base nos números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ministério da Fazenda, Ministério da Indústria e Comércio, Ministério do Trabalho, Conselho Nacional de Política Fazendária, Secretaria da Receita Federal, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e sindicatos das indústrias.

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