Emprego cresce 2%, prevê CNI
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de julho de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
De 1992 para 1999, 25,8% dos postos de trabalho na indústria foram fechados, de acordo com os indicadores industriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para este ano, a previsão da entidade para o crescimento do emprego industrial é de 1% a 2%. Não é possível recuperar esses empregos que se perderam, diz o coordenador de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Seria necessário crescer décadas a níveis muito altos para criar novamente esses postos de trabalho, avalia.
O economista Lauro Vieira de Faria, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é mais específico. Para recuperar esses empregos, a economia brasileira tem que crescer a níveis de 7% ou 8% ao ano, diz. A taxa de crescimento prevista para este ano, de 4%, não é suficiente nem para absorver as pessoas que tentam entrar a cada ano no mercado de trabalho, completa.
Apesar da redução nos empregos, o salário total na indústria cresceu 0,8% de 1992 a 1999, segundo a CNI. É que as pessoas que saíram tinham menor qualificação e menores salários, explica Castelo Branco. Quem ficou empregado, em média ganhou mais, informa. Isso ocorreu no início da década de 90, mas depois o quadro mudou, segundo a pesquisadora do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Míriam Ferreira. O IBGE constatou redução de 2,9% no salário médio no ano passado.
Os dados da CNI são compatíveis com os resultados do estudo Evolução da Produtividade Industrial Brasileira e Abertura Comercial, dos pesquisadores Pedro Cavalcanti Ferreira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e José Luiz Rossi Júnior, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Os dois estudaram 16 setores da indústria e concluíram que todos eles tiveram aumento de produtividade total dos fatores e do trabalho após a abertura comercial entre 1990 e 1997. Para eles, o acesso a matérias-primas e máquinas estrangeiras bem como à exposição a competidores internacionais influiu para a queda do emprego e o aumento da produtividade.


