Brasília - A criação de empregos formais perdeu fôlego em fevereiro. Segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, foram abertas 73.285 vagas no mês passado. Apesar de ainda positivo, o dado representa uma queda de 36,8% em relação janeiro, quando foram criados 115.972 empregos.
Na comparação com fevereiro de 2004, a queda é de 47,3%. Pela série histórica do Caged, esse foi o pior fevereiro desde 2001. Os estados que revelaram as melhores performances na geração de empregos em fevereiro foram São Paulo, com mais 52.670, Minas Gerais, com 12.979, e Paraná, com mais 9.147 postos de trabalho.
A provável causa para a queda na criação de empregos, na avaliação do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, é a valorização do real ante o dólar, que estaria levando setores exportadores a fechar vagas. Mais especificamente, estariam sendo afetados os fabricantes de móveis e de calçados. Esses dois setores registraram mais demissões do que contratações em fevereiro.
Outros setores que também registraram queda no saldo entre admissões e demissões foram indústria de alimentos (-14.682) e a agricultura (-1.420). Nesses casos, o ministro avaliou que houve impacto do fim da colheita de cana-de-açúcar em Alagoas, Pernambuco e Paraíba, que este ano se antecipou em relação ao ano passado, e também reflexos da longa estiagem no Rio Grande do Sul.
Apesar de reconhecer que os números em fevereiro foram piores que o esperado, o ministro sustentou que ainda é cedo para falar em tendências. ''Claro que os dados merecem um olhar atento do governo, mas temos de esperar os meses de março e abril para uma análise mais precisa'', disse Berzoini. Segundo o ministro, também ajudaria a explicar a piora dos dados de fevereiro em comparação ao mesmo período de 2004 o fato de o carnaval ter ocorrido no início do mês, ao contrário do ano passado. ''Quando o carnaval cai muito próximo de janeiro e das festas de fim de ano, os empresários costumam postergar as decisões de contratações definitivas'', disse Berzoini.
Os setores de serviços, administração pública e comércio continuaram apresentando alta na oferta de emprego com carteira assinada. Os Estados nordestinos tiveram menor fôlego na criação de vagas, o que seria explicado pelo fim da colheita de cana-de-açúcar em algumas áreas. Em São Paulo, foram criados no mês passado 52 mil empregos, contra pouco mais de 54 mil em janeiro.

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