Emprego cai pelo 3º mês consecutivo
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quinta-feira, 05 de novembro de 1998
Agência Estado 
O desemprego na indústria aumentou pelo terceiro mês consecutivo em agosto, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o órgão, o nível de emprego caiu 0,4% de julho para agosto, encolheu 9,4% em relação a agosto de 1997, diminuiu 9% no acumulado do ano e reduziu-se em 8% no período de 12 meses findo em agosto. Os indicadores do desempenho industrial até agosto mostram que a produção da indústria caiu apenas ligeiramente (-0,9%) no acumulado do ano, enquanto que a queda no emprego, no período, foi violenta (-9%).
Isso, segundo os técnicos do IBGE comprova a continuidade do processo de reestruturação do emprego industrial. Ou seja, as empresas estão buscando sistematicamente aumentar a produtividade para se tornarem mais competitivas, mantendo a produção mais ou menos nos mesmos níveis, mas com um número menor de empregados.
Quem logrou manter-se no emprego, conseguiu melhorar ligeiramente o seu salário médio real (descontada a inflação). No que diz respeito ao rendimento, todos os indicadores apresentados pelo IBGE são positivos. O salário por trabalhador subiu 0,5% em agosto, em relação a julho. Elevou-se ainda em 2,6% ante agosto de 97, subiu 2,8% no acumulado do ano e 2,9% nos últimos 12 meses. O total de salários pagos pela indústria, contudo, ficou estável ante julho, interrompendo uma sequência de quedas que vinha desde o início do ano.
Apesar do aumento do salário dos empregados, foi possível reduzir o total de salários pagos, por conta das demissões e reduções nas horas extras pagas pelo setor (aliás, estável de julho para agosto).
Justamente como decorrência das demissões, o total de salários pagos pelo parque fabril das cinco regiões pesquisadas pelo IBGE caiu 7% em relação a agosto de 97 e mostrou retração de 6,4% no acumulado do ano.
Em 12 meses, a perda foi de 5,4%.
Ainda de acordo com o IBGE, de julho para agosto, nas cinco regiões pesquisadas pelo órgão, somente o Nordeste conseguiu ampliar o número de trabalhadores industriais, mesmo assim em um percentual bem modesto (0,7%). Isso ocorreu graças principalmente às contratações sazonais na indústria de fumo (6,1%), e editorial e gráfica (5,9%), por influência do período eleitoral.
O desemprego fabril atingiu mais fortemente Minas Gerais, que mostrou recuo de 1,4% nos postos de trabalho em relação a julho. No Rio de Janeiro, houve redução de 0,7% nas vagas industriais. A região Sul e São Paulo tiveram um corte de 0,4% no número de trabalhadores no setor.
O pior quadro, entretanto, é na comparação de um ano para o outro: registrou-se queda no nível de emprego em todos os locais pesquisados.
Assim, a indústria do Sul apontou -10,4% ante agosto de 97; São Paulo, -9,8%; Minas Gerais, -9,7%; Rio de Janeiro, -7,2%; e o Nordeste, -5,2%.
Por setores, na média das cinco regiões, as maiores perdas foram verificadas nos segmentos têxtil (-20,6%) e fumo (-18,9%). As quedas menores ocorreram no emprego da indústria farmacêutica (- 1,9%), perfumaria, sabões e velas (-3,6%) e papel e papelão (-3,9%). Também no acumulado dos oito primeiros meses do ano, as reduções no contingente de trabalhadores atingiram todas as áreas da pesquisa.
São Paulo perdeu 9,7% dos postos de trabalho industrial; Rio de Janeiro perdeu 9,6%; a região Sul registrou -8,2%; Minas Gerais, -7,9% e Nordeste -7,2%.


