Empregados poderão participar da privatização da Telebrás
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de março de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaSérgio Motta: quem tem ações deve guardá-las, pois valerão muitoO ministro das Comunicações, Sérgio Motta, realizou ontem, pela primeira vez, uma teleconferência com os funcionários do Sistema Telebrás sobre o modelo de reestruturação e privatização do setor. Motta fez um pronunciamento de 45 minutos e anunciou que o ministério está estudando as condições de participação dos empregados e aposentados na privatização das empresas do Sistema Telebrás.
E indicou cinco pontos: os empregados e aposentados receberão tratamento especial na privatização; o governo vai ceder ações preferenciais aos empregados; os empregados só poderão adquirir ações da Telebrás até um determinado valor; os empregados terão restrições à venda imediata das ações; e também poderão agrupar-se em clubes de investimento. O presidente da Telebrás, Fernando Xavier Ferreira, esclareceu que os empregados poderão adquirir ações preferenciais com algumas vantagens após a privatização do Sistema Telebrás.
Motta disse aos funcionários que o programa de autofinanciamento que vigorava até o ano passado conduziu à degradação do controle societário da Telebrás. Se tivéssemos 70% ou 80% da empresa, poderíamos fazer uma privatização muito mais interessante, pulverizada, justificou o ministro. Temos apenas 21,4% e vamos passar para um investidor estratégico para que a privatização conduza a resultado muito grande para a União e para a sociedade, disse.
O ministro esclareceu ainda que foi adotado o critério de cisão das ações, porque a intenção do governo é preservar o interesse do acionista minoritário.Motta anunciou que lançará em abril uma campanha de esclarecimento sobre a privatização e os direitos dos funcionários. O senhor, se tem ações, deve guardá-las porque elas vão valer muito, garantiu Motta.
Motta discorreu ainda sobre o trabalho de recuperação da Telebrás que foi feito pelo governo. Antes mesmo de partir para a privatização foi definida uma linha de recuperar o sistema, que já começava a refletir um atraso, como o baixo índice de digitalização, justificou. Formulamos uma política de investimentos ousadíssima. Motta lembrou que foram investidos cerca de R$ 28 bilhões, totalmente com recursos da Telebrás, mesmo assim mantendo índice de endividamento baixíssimo.
Hoje a planta recuperou o atraso tecnológico, afirmou. Nosso problema hoje é muito mais de atraso de atendimento de demanda do que do atraso tecnológico. Motta esclareceu ainda que houve ganhos de produtividade excepcionais. Além de redução de pessoal, foi possível quase dobrar o número de terminais por funcionário.
O ministro fez reiterados elogios aos empregados do Sistema Telebrás. Vocês sabem que eu trouxe pouca gente de fora quando vim para o Ministério (das Comunicações) e encontrei no Sistema (Telebrás) pessoal da melhor qualidade técnica, gerencial e moral, declarou.


