Empregados da Chapecó em greve
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel - Uma grande parte dos 550 funcionários da unidade do Frigorífico Chapecó, em Cascavel, decidiu paralisar as atividades na noite de anteontem em decorrência do atraso e a falta de definição sobre o pagamento do salário de janeiro. O pagamento, que deveria ter sido feito até o quinto dia útil, não tinha sido regularizado até ontem.
Na manhã de segunda-feira, uma comissão de funcionários esteve reunida com a direção da empresa que prometeu depositar o dinheiro no final da tarde do mesmo dia. Como isso não ocorreu, os funcionários do turno da noite decidiram interromper os trabalhos. ''Só vamos retornar ao trabalho depois que eles pagarem. E até a manhã podem ter certeza que todos vão parar'', disse o funcionário José Evangelista.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação em Cascavel e Região (Sitiacre), Valdevino Pereira de Oliveira, esta é a primeira vez que a empresa atrasa os salários, porém, o clima de incerteza provocado pela suspensão da produção e o anúncio de férias coletivas a partir do dia 22 deixaram os funcionários em alerta. ''Nossa preocupação é nos garantir. Da outra vez, para que conseguíssemos receber alguns direitos, foi preciso abrir mão de muita coisa'', lembra, referindo-se à primeira vez que a empresa fechou, em 1998.
Oliveira esteve reunido na manhã de ontem com diretores da unidade de Cascavel, mas não houve um consenso sobre o retorno às atividades. A única promessa é de que o pagamento será efetuado até amanhã. ''Meu filho teve que ir para a escola, e eu precisei vender meus passes de ônibus para comprar material'', reclamou a funcionária Rosângela Lourenço.
A situação financeira do Frigorífico Chapecó vem preocupando prefeitos da região de Cascavel que temem pelo fechamento da empresa, o que causaria grandes prejuízos aos 423 agricultores integrados e aos funcionários que seriam demitidos. Está previsto para esta semana uma reunião entre uma comissão de prefeitos e o diretor da empresa, Alex Fontana.
A direção da unidade de Cascavel preferiu não comentar a atitude dos funcionários em paralisar as atividades. O diretor de Administração e Recursos Humanos, Antônio Balarini, foi procurado em São Paulo, mas não foi encontrado.


