Empregados brigam por indenizações
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Vânia Moreira 
Cerca de 350 ex-empregados da Coopagro, cooperativa liquidada em 1993, cobram o pagamento das indenizações trabalhistas a que têm direito. Segundo os reclamantes, a Coopagro tem aproximadamente R$ 16 milhões, resultado da venda de parte do patrimônio, depositados no Banco do Brasil e no Banestado, mas o pagamento dos ex-empregados vem sendo protelado devido a uma pendência judicial entre a cooperativa e o Banco do Brasil.
Os trabalhadores planejam fazer um manifesto se o impasse não for resolvido nos próximos meses. Em fevereiro, os ex-empregados do entreposto de Alto Piquiri (42 km a sudoeste de Umuarama) fizeram um protesto na cidade.
Baseado numa resolução do Banco Central que estabelece prioridade ao pagamento de dívidas contratadas com base no câmbio de exportação, o Banco do Brasil entrou na Justiça para receber um empréstimo em dólar tomado em 93 pela Coopagro, pouco antes da cooperativa falir. A dívida, de U$ 1,5 milhão, foi corrigida pelo banco chegando a US$ 24 milhões. A Coopagro não contestou os índices usados pelo banco para atualizar o crédito.
A Justiça acatou os valores e determinou o pagamento da dívida. O banco já fez várias tentativas de levantar o dinheiro, mas não conseguiu devido a recursos impetrados pelos advogados dos ex-empregados da Coopagro em Umuarama. Se o banco ficar com US$ 24 milhões, não vai sobrar nada para pagar os empregados, disse a advogada Delires Acadrolli.
Denúncias de fraudes e outras manobras envolvendo a Coopagro e o Banco do Brasil para lesar os trabalhadores levaram o Ministério Público a intervir no caso. O promotora Luciane Lebre Moreira pediu a anulação da sentença que determina o pagamento de US$ 24 milhões ao BB alegando que o Ministério Público não foi ouvido e por isso a decisão é nula. No recurso da promotora encaminhado ao Tribunal de Justiça, também consta um acordo feito pelo Banco do Brasil com os ex-empregados da Coopagro em junho do ano passado. No acordo, o banco se compromete a pagar aos trabalhadores 65% do valor do crédito de cada um, ficando com os 35% restantes a título de comissão. Os ex-empregados da Coopagro na região de Umuarama não aceitaram o acordo.
A Coopagro tem quase R$ 8 milhões em indenizações trabalhistas para pagar. Ex-encarregado do departamento de recursos humanos da cooperativa em Umuarama, Urbano Soares do Nascimento, 37 anos, informou que muitos trabalhadores estão desempregados até hoje e enfrentam dificuldades financeiras. Alguns não receberam sequer as verbas rescisórias (férias, aviso prévio, 13º salário). Cada trabalhador teria em média R$ 20 mil de indenização para receber. Não aguentamos mais esperar e vamos fazer manifestações para chamar a atenção pública para o que está acontecendo, desabafou Nascimento.


