Empregados acusam comércio de querer baixar piso salarial
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sábado, 13 de julho de 2013
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local 
A disputa entre patrões e empregados do comércio varejista de Londrina, com vistas ao fechamento da convenção coletiva 2013/14, está acirrada. A data-base é maio, mas até agora nem sinal de acordo. Na última sexta-feira, o sindicato dos trabalhadores (Sindecolon) divulgou nota, segundo a qual os empregadores representados pelo Sincoval só apresentaram contraproposta às reivindicações da categoria dia 1º de julho. A contraproposta foi considerada "desrespeitosa" por reduzir o piso salarial.
"É claro que o Sindicato dos Empregados no Comércio rejeitou isto, que não dá nem para chamar de proposta. Ficou clara a intenção de prolongar a negociação, como foi no ano passado", afirma o vice-presidente da entidade, Manoel Teodoro da Silva. Segundo ele, os patrões querem baixar de R$ 640 para R$ 582 o piso das funções iniciais como pacoteiro, faxineira, office boy, copeiro e vigia, nos primeiros 90 dias de contrato. Após os três primeiros meses, o piso subiria para R$ 663, ficando ainda abaixo do salário mínimo nacional, que é de R$ 678. De acordo com o Sindecolon, na convenção anterior, o piso para pacoteiro era de R$ 728 e o das demais funções, R$ 823.
O diretor-tesoureiro do sindicato patronal, Roberto Martins, diz que a entidade dos trabalhadores está fazendo "alarde" e que houve um "erro de grafia" na contraproposta. O Sincoval não teria deixado claro que o piso menor seria para os aprendizes e corresponderia à jornada de trabalho reduzida. Ele não disse a quantas horas se referia o valor.
Segundo o diretor, trata-se da primeira proposta do Sincoval e a ideia é apresentar pisos de acordo com o porte das empresas: micro, pequena e grande. "Isso é uma novidade para Londrina, mas em São Paulo já é muito comum", alega. De acordo com Martins, os patrões propõem 7,16% de reajuste, o que corresponde ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio de 2012 a abril de 2013. Aumento acima disso estaria condicionado à flexibilização do horário de abertura das lojas em determinadas datas.
A entidade dos trabalhadores reclama. "Lamentamos que o reajuste salarial a que todos os trabalhadores têm direito fique condicionado à discussão de questões paralelas, como trabalho aos sábados, domingos ou horário livre", diz o vice-presidente do Sindecolon. Para ele, o Sincoval vem radicalizando a relação com os trabalhadores, propondo ações na Justiça contra a categoria. Ele se refere a duas liminares obtidas pelos patrões para manterem as lojas abertas na terça-feira de Carnaval e no Dia da Consciência Negra (20 de novembro).
Estudo
A reportagem teve acesso a um estudo feito pelo Sincoval, segundo o qual os pisos dos trabalhadores das lojas de shoppings e de calçada têm sido reajustados bem acima da inflação nos últimos anos. Em alguns casos, acima do salário mínimo nacional e do piso regional (ver quadro).
Conforme o estudo, o número de estabelecimentos comerciais em Londrina cresceu 18% de 2008 a 2012. E o de empregados, 27%. A remuneração das mulheres no comércio cresceu mais que a dos homens, mas eles ainda ganham quase 9% mais. A maior parte das lojas são microempresas, com até 4 empregados.
Roberto Martins, do Sincoval, disse que somente a assessoria jurídica poderia comentar o estudo, mas o assessor não foi localizado. Já Manoel Teodoro da Silva, do Sindecolon, afirmou que não poderia confirmar os reajustes salariais, sem conhecer o estudo.


