Empregadores tradicionais têm pouco crédito do BNDES
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Alaor Barbosa<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os setores industriais mais tradicionais e grandes empregadores de mão-de-obra, como confecções e têxteis, têm participação irrisória no volume de recursos desembolsados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No ano passado, para desembolsos de R$ 47 bilhões, dos quais R$ 23,4 bilhões alocados para o setor industrial, o setor de confecções recebeu apenas R$ 55,9 milhões, o que representou 0,24% dos desembolsos para o setor industrial pelo banco estatal de fomento e apenas 0,1% no total.
Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de confecções é o segundo maior empregador da área industrial, só perdendo para a área alimentícia. O setor de confecções tinha um contingente próximo a 450 mil funcionários no final de 2003.
O setor de couro e artefato, onde se inclui a fabricação de sapatos e bolsas, que também é forte empregador na indústria, recebeu R$ 154 milhões no ano passado, o que representou 0,66% dos recursos do banco estatal de fomento para a área industrial e 0,3% do total geral. Esse segmento tinha 407 mil empregados no final de 2003, pelos dados do IBGE. A área têxtil, também da cadeia do algodão e tecidos sintéticos, conseguiu R$ 263 milhões do BNDES, o que representou 1,12% dos desembolsos ao setor industrial (0,6% do total). O segmento tem algumas empresas de grande porte com acesso aos cofres do banco estatal, como foi o caso da Coteminas, do vice-presidente da República, José Alencar, o que acaba provocando distorção estatística.
No sentido inverso, setores com características de ''capital intensivo'' e que menos empregam mão-de-obra, como a Embraer (fabricante de aviões) e as montadoras de veículos estão bem posicionados no ranking de liberação de recursos do BNDES. Em 2005, a rubrica ''outros equipamentos de transporte'', onde estão incluídos os financiamentos aos clientes da Embraer, recebeu R$ 6,044 bilhões do BNDES, o que representou, isoladamente, a maior participação porcentual nos financiamentos industriais, com o equivalente a 25,78% das verbas do banco para a área industrial (12,9% do total). O número de empregados do setor no final de 2003 estava em torno de 68 mil pessoas, o que o situava na 18 posição entre os 23 segmentos industriais, conforme a Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE).
As fabricantes de veículos automotores conseguiram R$ 4,7 bilhões no ano passado, o que representou 20,12% dos desembolsos do banco estatal para a indústria e 10% dos desembolsos totais. Essas empresas quase dobraram o volume de empréstimos do BNDES nos três primeiros anos do governo Lula, em relação ao período imediatamente anterior. As empresas do setor são grandes empregadoras, com mais de 330 mil funcionários no final de 2003, o que colocava o segmento na quinta posição no volume de emprego industrial do IBGE.


