BRASÍLIA - A remuneração média dos trabalhadores sem carteira assinada e por conta própria está começando a cair. De julho a setembro de 95, a renda média dos trabalhadores caiu 1,6%, e os autônomos registraram uma perda de 0,66% na sua remuneração. Esta é a primeira queda de renda verificada nesses segmentos desde o início do Plano Real. Por outro lado, a remuneração dos trabalhadores do setor formal - com carteira assinada - continua em crescimento.
Os trabalhadores autônomos e sem carteira assinada já ultrapassam 52% da PEA (População Economicamente Ativa). O técnico do Ipea, Lauro Ramos disse que uma das causas dessa queda é a estabilização dos preços do setor de serviços.
É que esse setor registrou as maiores altas de preços, porque seus produtos não sofrem concorrência internacional como, por exemplo, costureiras, cabeleireiros e restaurantes. ‘‘Os preços desses serviços perderam fôlego porque há uma restrição da demanda, ou seja, há um limite do que o consumidor pode pagar’’, disse Ramos.
Segundo ele, essa justificativa não pode ser comprovada, mas é a primeira vez que a remuneração média caiu. Ele acrescentou que será necessário analisar o comportamento do primeiro trimestre deste ano.
RegiõesNo caso dos rendimentos por região metropolitana, houve uma queda. Em setembro, a renda média geral caiu 1,1% em relação a julho, mas foi superior em 5,15% em relação ao mesmo mês de 95. Essa queda não atingiu todas as regiões metropolitanas, mas foi acentuada em Salvador (8,4%), Rio e Recife (5,86% em ambos os casos). O setor que foi mais prejudicado em relação à remuneração foi o comércio, seguido da agropecuária e da indústria de transformação.

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