Curitiba - Mesmo estando entre os sete países que mais empreendem no mundo, o Brasil é a nação onde 56% dos empreendimentos, este ano, surgiram por necessidade e não por oportunidade. O dado faz parte da pesquisa internacional sobre empreendedorismo, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Lideram o ranking do empreendedorismo Tailândia, Índia, Chile, Coréia, Nova Zelândia e Argentina.
''Esse índice deve servir de alerta para toda a sociedade'', destacou o presidente do IBQP, Sérgio Prosdócimo, lembrando que o perfil de empreender por necessidade foi reforçado em relação à última pesquisa. No ano passado, a maioria dos empreendimentos (52%) havia sido criada por oportunidade e 48% por necessidade.
A pesquisa integra o projeto Global Entrepreneurship Monitor (Gem), que é coordenado internacionalmente pela London Business School (Inglaterra) e pela Babson School (EUA), e tendo o IBQP como única entidade brasileira vinculada. A etapa brasileira da pesquisa foi integralmente patrocinada pelo Sebrae e também conta com o apoio institucional da PUC-PR e do Instituto Euvaldo Lodi.
Os 37 países participantes, este ano, do Gem reúnem 62% da população mundial ou 3,9 bilhões de pessoas, representam 92% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 286 milhões de pessoas envolvidas com alguma atividade empreendedora e o equivalente a 12% da força de trabalho do mundo.
A pesquisa no Brasil envolveu 56 entrevistas com especialistas e a aplicação de dois mil questionários à população adulta. Na edição 2002 do Gem, o Brasil apresentou 13,5% de taxa de atividade empreendedora (Tae), ficando acima da média mundial, que foi de 12%. O Brasil também concentra maior número de mulheres empreendedoras. A participação feminina no setor (11,3%) é bem superior à média dos demais países (5,7%).
No Brasil, a maior taxa de atividade empreendedora total (20,4%) foi observada em 2000 e possivelmente refletia o momento de aquecimento da economia verificado naquele ano. Em 2001, já num contexto de desaceleração da atividade econômica, a TAE foi de 14,2%.
Os empreeendimentos que mais se destacam no Brasil são os dos setores de softwares de serviços (12%), biotecnologia (11%), e-commerce (10%), bancário (7%) e de softwares para produtos (7%).

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