Curitiba Pequenos agricultores familiares poderão se transformar em empreendedores no Paraná. Pelo menos, é essa a proposta de um programa lançado ontem numa parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Brasileiro de Apoio a Pequenas e Microempresas (Sebrae), Federação das Agriculturas do Estado do Paraná (Faep) e Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep). O Programa Empreendedor Rural já funcionava desde o ano passado. A experiência do projeto-piloto, que levou conhecimento e mudança de comportamento de agricultores familiares paranaenses, foi impulsionada agora com a realização de um curso que deverá ser prolongado até 2007, capacitando até o final do ano que vem cerca de 10 mil produtores em 360 dos 399 municípios do Paraná.
De acordo com o superintendente do Senar-PR, Ronei Volpi, a intenção é dotar os agricultores de visão empresarial. ''Todo o produtor, pequeno ou não, é um empreendedor e terá sucesso dependendo das variantes do mercado. Precisamos fazer com que ele tenha uma visão maior do que é o empreendedorismo, evitando os riscos'', salientou Volpi. O curso é composto por 14 módulos. O agricultor aprende a desenvolver projetos para a propriedade, fazendo estudos de mercado. As turmas são pequenas, de 20 a 25 pessoas. Os instrutores vão até a comunidade e auxiliam a trabalhar todos os casos encontrados em particular.
''O que acontece é que os resultados podem ser vistos na mudança de comportamento do produtor. Nem sempre o projeto que ele tem é viável para a área que ele possui'', exemplificou Volpi. Um dos casos relatados por ele foi de um agricultor que tinha entre cinco e dez hectares de soja e percebeu que não tinha como subsistir num curto período de tempo. A alternativa teria sido agregar valor com culturas diferenciadas como a fruticultura e a avicultura. Um outro caso relatado do projeto-piloto foi de uma produtora de Jataizinho (21 quilômetros a leste de Londrina) que iria morar no Japão por falta de rentabilidade da propriedade em que vivia. Depois de fazer o curso, ela teria ficado no Brasil e investido em agricultura orgânica e apicultura.
''O curso já está trazendo melhorias nas propriedades dos pequenos agricultores. Muita gente está querendo aprender como fazer e como investir em novas tecnologias. É uma alternativa de rentabilidade e que pode evitar o êxodo rural'', garantiu Ademir Muller, presidente da Fetaep. ''A pessoa passa a ficar na propriedade por opção e não por exclusão social. Estamos tentando instrumentalizar os agricultores para tentar melhor qualidade de vida e renda'', ponderou Volpi. No Paraná, existem cerca de 390 mil propriedades rurais. Destas, 320 mil têm até 50 hectares.

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