Empreendedorismo no ambiente acadêmico
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
As mudanças produzidas pelas facilidades nas telecomunicações nos últimos dez anos criaram jovens mais dinâmicos e que, ao invés de serem empregados, querem ser donos do próprio negócio, gerando a necessidade de se incentivar a inovação e o empreendedorismo entre os universitários.
Para dar vazão a esses anseios, as instituições de ensino superior oferecem espaços propícios, como a Incubadora Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel) ou o Centro de Empreendedorismo Sustentável, inaugurado ontem pela Universidade Filadélfia (UniFil), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Filadélfia (Unifil).
Em Jacarezinho (Norte Pioneiro), o Sebrae promove, até amanhã, o GeniusCon, em parceria com o Instituto Federal do Paraná (IFPR). O primeiro evento do gênero no Paraná terá a apresentação de 13 protótipos de startups, criadas por estudantes de 15 a 18 anos durante seus estágios, que podem vir a serem incubadas.
O diretor de operações do Sebrae no Paraná, Júlio Cezar Agostini, afirma que inovar e empreender são a chave para o desenvolvimento do estado. "Com essas parcerias, estamos dinamizando o ecossistema econômico do Paraná ao criar condições práticas de estimular essas ações entre os alunos e fazendo com que todos tenham mais participação no mercado", diz.
Para o reitor da UniFil, Eleazar Ferreira, o universitário de 2016, depois de formado, não quer mais ficar sentado atrás de uma mesa de uma grande empresa, cumprindo seus horários de trabalho diários. "O jovem está focado em fabricar dinheiro. Ele quer trabalhar, mas não quer o emprego tradicional", observa. Como exemplo, cita a explosão de startups, "que estão contagiando a nova geração", e a ascensão de youtubers, pessoas com canais no site de vídeos que passam de milhões de seguidores. "A internet e os novos meios de comunicação oferecem novos meios de trabalhar. Os jovens querem empreender e, às vezes, a universidade não dá esse suporte", afirma.
Agostini concorda que o mundo do trabalho está se modificando rapidamente e que, por isso, as universidades têm de atuar para que o aluno não tenha apenas condições de sair empregado, mas também de ser o dono do próprio negócio. "Não podemos confundir trabalho com emprego. Pode haver poucos empregos ofertados, mas há muito trabalho a ser feito", aponta.
Retorno à comunidade
Foi com base nesse sentimento que a UniFil resolveu buscar a parceria com o Sebrae, fechada após a participação em um edital e com validade de dois anos. O Centro de Empreendedorismo vai oferecer serviços de auxílio e orientação contábil, financeira e legal, entre outros, para micros e pequenos empreendedores. Não é necessário ser aluno da instituição.
A sala ainda oferece um ambiente de coworking com a infraestrutura necessária de telecomunicações. A proposta é que, com o tempo, o Centro de Empreendedorismo funcione como um local de atendimento do Sebrae, sempre com foco no micro e pequeno empreendedor.
Pelo convênio firmado, a instituição de ensino também fortalecerá os pequenos empresários, com atuação de graduandos supervisionados por professores para observar e propor aprimoramentos nas empresas, além de fortalecer o trabalho em conjunto entre empreendedores (cowork), com arejamento de ideias. "Quando tivermos um posto de atendimento na UniFil, os empresários terão, aqui dentro, capacitação, consultoria e um processo de crescimento", afirma Agostini.


