Empreendedorismo inovador depende de gestões estruturadas
Evento abordou necessidade dos gestores públicos incorporarem o conhecimento inovador e as novas tecnologias na lista de prioridades
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de abril de 2025
Evento abordou necessidade dos gestores públicos incorporarem o conhecimento inovador e as novas tecnologias na lista de prioridades
Lúcio Flávio Moura - Especial para a FOLHA 

O termo govtech entrou no vocabulário da ExpoLondrina nesta quarta-feira (9) durante a realização da Arena b/luz, evento realizado por um grande escritório de advocacia ligado ao universo do empreendedorismo e inovação em parceria com a Sociedade Rural e com o Sebrae Paraná.
Foram horas de conteúdo sobre as novas tecnologias, regulação e ambiente de negócios em variados segmentos no Pavilhão Smart Agro e muitas reflexões de quem estuda este mundo novo e de líderes da iniciativa privada e do poder público.
Um dos destaques foi o painel “Como o Poder Público Contribui para o Fomento do Empreendedorismo Inovador”, moderado por Renata Queiroz, sócia do b/luz e responsável pela área de Govtech do escritório, e que contou com a participação do secretário estadual de Inovação, Modernização e Transformação Digital, Alex Canziani, do coordenador de projetos do Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (SP), Jean Nemanis, e do coordenador do Programa Intel Startups do Instituto Nacional de Telecomunicações, Rogério Abranches.
“Um tempo atrás, políticas de desenvolvimento econômico de um município estavam muito ligadas à instalação de parques industriais ou a doação de terrenos a empresas. Hoje isso faz menos sentido quando sabemos que empresas que ocupam apenas uma sala pode faturar milhões. É preciso que os gestores públicos entendam esta mudança e se aproximem deste novo empreendedorismo, inovador, tecnológico”, explica Renata, uma ex-servidora da Prefeitura de Londrina que já assessorou sete estados e 30 municípios na criação de marcos legais para políticas públicas de inovação.
O círculo virtuoso que cria cidades prósperas ainda é o mesmo das últimas décadas, com prefeitos preocupados em gerar riquezas, fortalecendo o ambiente empresarial para que bons resultados nos balancetes ajudem a multiplicar os empregos, ampliando a base de contribuintes, expandindo a receita tributária, permitindo orçamentos públicos mais robustos, viabilizando programas que criem bem-estar social para os mais vulneráveis.
À velha receita, o conceito de govtech acrescenta a busca de parcerias com empresas focadas em tecnologia, processos de trabalho e soluções ágeis, com o propósito de gerar inovação e economia de recursos públicos.
O primeiro grande passo neste sentido é a adequação legal, com a criação de uma legislação atualizada que estruture a política pública de empreendedorismo inovador. Entre os principais avanços que este mecanismo fundamental permite é a realização de conferências que pactuam as prioridades deste esforço, com a instituição de um conselho composto por empresários, estudiosos e autoridades e de um fundo municipal que pode ser abastecido por recursos disponíveis nas esferas estadual e federal.
Para Renata, que auxiliou na elaboração do texto da nova lei em Londrina, aprovada em setembro, os prefeitos que não buscam esta estruturação estão postergando algo imprescindível em comunidades que muitas vezes lutam para ter uma economia mais dinâmica, que buscam ampliar sua receita própria e não perder seus melhores talentos para outras cidades. “Flexibilização das leis, investimentos em centros de pesquisa e estímulos a jovens empreendedores que influenciam o ambiente empresarial é uma combinação transformadora, cujo maior exemplo é o Vale do Silício”, lembra Renata, referindo-se à região da costa da Califórnia (EUA) que é o berçário das gigantes globais da tecnologia.
Um exemplo de cidade com um marco legal atualizado, ecossistema de inovação maduro, com governanças setoriais em pleno funcionamento, com importantes centros de pesquisa, Londrina vive uma fase na qual testa todos estes ativos em projetos de govtech ainda à espera de recursos, escassos num ano fadado ao rombo orçamentário e que virão provavelmente de emendas parlamentares de Brasília ou de convênios com o governo estadual.
É o caso da Londrina Iluminação, empresa pública que depois de um exaustivo período de substituição do sistema antigo por luminárias com tecnologia LED em boa parte da cidade, que se volta agora para projetos de expansão da conectividade na zona rural, entre eles a multiplicação das Torres de Observação Rural - postes inteligentes multifuncionais capazes de gerar imagens que identificam veículos e pedestres que circulam nas estradas rurais.
O presidente da empresa, Renan Salvador, que foi diretor de Tecnologia da Sociedade Rural, tem vasto currículo como empreendedor na área de inovação, e também participou como moderador em outro painel da Arena b/luz (“A Transformação Digital do Agro”), lembrou que está “trabalhando duro” para enxugar os custos do projeto, “que é extremamente alto” e que “vai buscar a máxima eficiência” para oferecer o serviço em todas as regiões do município em até dois anos. Ele resume: “A experiência do outro lado do balcão ensina que temos que olhar o cidadão como nosso cliente. De preferência, um cliente satisfeito”.


