Empreendedorismo começa chegar às universidades
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Reportagem Local 
Com poucas chances no mercado formal de trabalho, inclusive para quem tem diploma universitário na mão, muita gente está abrindo empresas como alternativa para ter um rendimento e manter sua família. Mas como nem todos estão preparados para isso, o que se vê é um grande índice de mortalidade destas novas empresas. Mas parece que, apesar de lentamente, isto está começando a mudar.
As universidades e faculdades brasileiras estão acordando para a necessidade de formar empreendedores, deixando a cultura de focar o ensino apenas para a formação de funcionários. A iniciativa que já começou a tomar corpo em universidades como a Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e a Universidade de São Paulo (USP), ainda é tímida e caminha à passos lentos na maioria das instituições de ensino superior no restante do país, inclusive no Paraná.
Para o Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LD), esta lentidão é preocupante. O presidente da entidade, José Joaquim Ribeiro, afirma que a falta de preparo específico para o empreendedorismo faz com que as universidades despejem no mercado profissionais despreparados para serem donos de empresas. ''O mercado está cada vez menos disposto a absorver recursos humanos com conhecimentos meramente técnicos. As nossas instituições precisam incluir na grade curricular de seus cursos disciplinas que ensinem os profissionais a serem empreendedores'', defende Ribeiro.
Para ele, hoje, ser empreendedor é um pré-requisito para todo indivíduo, independente do setor em que atua. Ribeiro justifica que o novo sistema econômico mundial só vai permitir a sobrevivência das empresas onde empresários e quadro de recursos humanos sejam capazes de otimizar e agregar valores ao seu negócio. ''Precisamos acelerar o processo para ser competitivos e isto significa formar mais empreendedores para alavancar os negócios e fortalecer a nossa economia'', frisa.
A professora e coordenadora de Extensão Universitária da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Sonia Maria Mendes França concorda com a avaliação e também defende a inclusão da disciplina empreendorismo na grade curricular de todos os cursos. ''A Unopar está dando um passo neste sentido e deve incluir a disciplina na grade curricular de alguns de seus cursos ainda em 2006'', comenta. Segundo ela, muitos ainda entendem que ser empreendedor é um requisito necessário apenas a quem deseja abrir um negócio e se tornar empresário. ''Não é verdade'', diz. A professora afirma que as pesquisas apontam que as empresas estão priorizando os candidatos que têm em seu perfil o empreendedorismo.
Sônia França explica que ser empreendedor é uma questão de atitude. ''É ser capaz de compreender o mercado e interagir com ele; possibilitando um diagnóstico e uma visão das potencialidades do setor é imprescindível para qualquer profissional. Somente este tipo de postura faz com que o profissional atue como um agente de crescimento como empresário ou enquanto funcionário'', avalia.


