Com poucas chances no mercado formal de trabalho, inclusive para quem tem diploma universitário na mão, muita gente está abrindo empresas como alternativa para ter um rendimento e manter sua família. Mas como nem todos estão preparados para isso, o que se vê é um grande índice de mortalidade destas novas empresas. Mas parece que, apesar de lentamente, isto está começando a mudar.
As universidades e faculdades brasileiras estão acordando para a necessidade de formar empreendedores, deixando a cultura de focar o ensino apenas para a formação de funcionários. A iniciativa que já começou a tomar corpo em universidades como a Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e a Universidade de São Paulo (USP), ainda é tímida e caminha à passos lentos na maioria das instituições de ensino superior no restante do país, inclusive no Paraná.
Para o Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LD), esta lentidão é preocupante. O presidente da entidade, José Joaquim Ribeiro, afirma que a falta de preparo específico para o empreendedorismo faz com que as universidades despejem no mercado profissionais despreparados para serem donos de empresas. ''O mercado está cada vez menos disposto a absorver recursos humanos com conhecimentos meramente técnicos. As nossas instituições precisam incluir na grade curricular de seus cursos disciplinas que ensinem os profissionais a serem empreendedores'', defende Ribeiro.
Para ele, hoje, ser empreendedor é um pré-requisito para todo indivíduo, independente do setor em que atua. Ribeiro justifica que o novo sistema econômico mundial só vai permitir a sobrevivência das empresas onde empresários e quadro de recursos humanos sejam capazes de otimizar e agregar valores ao seu negócio. ''Precisamos acelerar o processo para ser competitivos e isto significa formar mais empreendedores para alavancar os negócios e fortalecer a nossa economia'', frisa.
A professora e coordenadora de Extensão Universitária da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Sonia Maria Mendes França concorda com a avaliação e também defende a inclusão da disciplina empreendorismo na grade curricular de todos os cursos. ''A Unopar está dando um passo neste sentido e deve incluir a disciplina na grade curricular de alguns de seus cursos ainda em 2006'', comenta. Segundo ela, muitos ainda entendem que ser empreendedor é um requisito necessário apenas a quem deseja abrir um negócio e se tornar empresário. ''Não é verdade'', diz. A professora afirma que as pesquisas apontam que as empresas estão priorizando os candidatos que têm em seu perfil o empreendedorismo.
Sônia França explica que ser empreendedor é uma questão de atitude. ''É ser capaz de compreender o mercado e interagir com ele; possibilitando um diagnóstico e uma visão das potencialidades do setor é imprescindível para qualquer profissional. Somente este tipo de postura faz com que o profissional atue como um agente de crescimento como empresário ou enquanto funcionário'', avalia.

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