A fatia de pequenos empresários que montaram o próprio negócio por oportunidade, e não por necessidade, voltou a crescer em 2013 e fechou em 71,3%. Segundo o Monitor Global de Empreendedorismo (GEM, na sigla em inglês), divulgado semana passada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o índice bateu o recorde de 69,2% registrado em 2012 e aponta para uma inversão da curva em relação a 2002, quando 57,6% montavam empresas por falta de opção.
Os motivos para a mudança estão na situação de pleno emprego vivida no Brasil e no aumento da escolaridade no período, conforme o Sebrae. Se a alta demanda por mão de obra faz com que diminua a quantidade de pessoas que buscam o empreendedorismo por necessidade, há um aumento do número de empresas abertas, principalmente entre pessoas jovens e com mais anos na escola.
O consultor Rubens Negrão, do Sebrae em Londrina, afirma que o Brasil sempre figurou entre os países com maior número de empreendedores, mas por necessidade.
Diretamente ligado ao novo cenário está o aumento do grau de escolaridade. Entre empreendedores com ensino superior completo ou incompleto, 92% abrem empresa por oportunidade, número que cai para 61% entre os que têm o segundo grau incompleto. "O maior tempo na escola deixa a pessoa mais preparada para abrir um negócio", diz Negrão. Ele cita ainda o fortalecimento da atuação de entidades de fomento a empresas, como associações comerciais, cooperativas de crédito e o próprio Sebrae, como base para o desenvolvimento do empreendedorismo.
O empresário Marcelo Marcos Vicentin, dono da Clínica de Motores, afirma que abriu um negócio em Londrina depois de atuar no ramo de manutenção de máquinas de jardinagem, limpeza de fim de obra e construção civil, mas como empregado. Como a demanda era grande, ele e a mulher, Leila, resolveram arriscar. "Foi pela oportunidade, porque são no máximo cinco que fazem o mesmo serviço na região, mas pode dizer que também foi pela necessidade de ter um futuro melhor."

Segundo o estudo, metade dos novos empresários brasileiros têm de 18 a 34 anos e outros 26%, de 35 a 44

A pesquisa apontou que 81% dos brasileiros acreditam que alcançar sucesso em um novo negócio dá status, 57% não temem o fracasso e 52% dizem ter conhecimento e experiência para iniciar uma empresa

O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional

mockup