Em Santa Catarina os pequenos empreendedores da espessa teia sócio-econômica se reforçam e alimentam mutuamente, por meio do associativismo, apoio efetivo e pragmático das entidades de classe e a formação de arranjos produtivos locais (reunião num local geográfico de cadeias produtivas complementares).
André Urani, diretor do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, com sede no Rio de Janeiro, observa que em Santa Catarina os ativos que geram riqueza, como terra, máquinas, tecnologias e educação, estão muito melhor distribuídos do que no resto do Brasil, e podem explicar aquela redução da desigualdade.
Ele reconhece a influência histórica da imigração européia e do minifúndio naquele fenômeno, mas vê algo mais: ''A primeira reação de muita gente é dizer que 'tem muito alemão e italiano' em Santa Catarina; até dez anos atrás, porém, isto não fazia quase diferença nenhuma, se você comparar com o resto do País.'' Uma hipótese mais elaborada, que Urani acalenta, é a de que, nos últimos 10 a 15 anos, aqueles fatores históricos tenham entrado em uma nova fase de germinação, levando a um impulso sustentado de empreendedorismo, associativismo e fortalecimento do pequeno negócio.
Grandes e pequenas - Para quem viaja por Santa Catarina, aquela idéia é mais do que uma hipótese. O empreendedorismo está no ar que se respira, e é facílimo topar com ele em toda parte. Uma típica história catarinense, que se repete incessantemente nos mais diversos setores, é a do empregado de uma grande empresa industrial, que adquiriu no seu trabalho um know-how técnico e profissional, e que se lança nos seu próprio pequeno negócio.
Arlete Koxne, 43 anos, é dona, junto com o marido Sérgio Koxne, 44 anos, de uma pequena facção (confecção especializada numa etapa específica da fabricação de roupas). A Dack Confecções, de Sérgio e Arlete, é uma típica facção familiar de Blumenau, onde trabalham o casal e mais quatro costureiras, finalizando roupas em suplex, elanca, moleton, poliviscose e outros materiais.
Arlete, depois de trabalhar muitos anos como instrutora da Sulfabril, uma das grandes indústrias têxteis de Santa Catarina, montou a Dack há cerca de oito anos. Sérgio, ex-gerente de uma grande rede de farmácias do Estado, comenta, sobre o fato ter iniciado seu próprio negócio: ''Valeu a pena. Com 44 anos, hoje eu estaria desempregado e velho para o mercado.'' Ele explica que gerentes com o seu salário na rede de farmácias foram trocados por outros que ganhavam menos. Na facção caseira, apesar de muitas dificuldades e dos altos e baixos ao longo dos últimos anos recessivos da economia brasileira, o casal consegue tirar R$ 1,8 mil por mês.

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