Curitiba - Em todo País, cerca de 10 mil empresas funcionam de maneira informal, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Dessas, 565 mil estão no Paraná. São camelôs, pequenos salões de beleza, prestadores de serviço, entre tantas outras atividades, que funcionam sem nenhum registro nos órgãos competentes, não pagam os impostos devidos, mas também não podem usufruir das vantagens de trabalhar na legalidade.
Diante desse quadro, o Banco do Brasil, Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon), Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Sebrae e Receita Federal realizam esta semana, o Mutirão da Cidadania Empresarial. A iniciativa, que acontece em 260 municípios do País, consiste em reunir em um mesmo espaço representantes de órgãos e entidades para prestar informações aos empreendedores informais que queiram legalizar sua empresa.
No Paraná, 16 cidades realizam o Mutirão, ontem e hoje. Em Curitiba, o mutirão acontece dentro em uma tenda no meio da Praça Rui Barbosa, uma das maiores da cidade. Em Londrina, no Calçadão, em frente à Agência do Banco do Brasil. Nesses locais, consultores das entidades patrocinadoras estão informando o público sobre todos os processos de formalização de empresas.
''Acho que o maior problema é a falta de informação. Não existe um órgão onde a pessoa possa resolver todos os problemas, e ela não sabe como proceder. Ela tem que contratar um contador, ir na prefeitura, consultar o Sebrae'', avalia o delegado da Receita Federal, Vergílio Concetta.
Um exemplo é o eletricista Sebastião Elias Alves, que trabalha como autônomo, junto com uma equipe de mais cinco pessoas. ''A gente não pode ficar parado, para crescer tem que acompanhar as mudanças. Se eu legalizar, posso até entrar em uma concorrência'', diz. Alves conta, no entanto, que sua maior preocupação é em relação à equipe que trabalha com ele. ''E se acontecer um acidente, como é que ele vai ficar? Se a empresa estiver legal, ele vai ter um seguro da lei'', afirma.
O presidente do Sindicato das Empresas de Serviço (Sescap-PR), Mário Elmir Berti, que também participa do mutirão na Capital, avalia que a maior vantagem em legalizar uma empresa é a possibilidade de crescer. ''Não é possível uma pessoa montar seu próprio negócio e não ter expectativa de crescer. E ele só vai crescer se organizando'', diz ele.
Berti lembra, ainda, que as estatísticas apontam a existência de duas empresas informais a cada empresa formal existente. ''Sendo assim, existem no Brasil mais de 8 milhões de empresas na informalidade'', diz.

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