Empreendedor Rural já capacitou 14 mil produtores
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terça-feira, 05 de dezembro de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Troca de informações sobre o agronegócio, apresentação de experiências comunitárias desenvolvidas por pequenos grupos de agricultores do Paraná e discussão sobre a crise da agropecuária. Estes foram alguns dos temas discutidos ontem durante o 2º Encontro de Encerramento do Programa Empreendedor Rural. O evento reuniu cerca de mil produtores rurais do Estado no Expotrade, em Pinhais, e também foi uma oportunidade para comemorar a formatura de 530 participantes da Fase 3 do Programa de 2006.
O Programa Empreendedor Rural, que foi lançado em 2003, já capacitou 14 mil produtores rurais, sendo 950 líderes. O programa é dividido em três fases. Na primeira são passados conceitos sobre associativismo e empreendedorismo rural. Na segunda fase são definidos, discutidos e colocados em prática os projetos das atividades do campo e, na terceira, acontece a formação de lideranças de projetos comunitários.
''O produtor fica muito mais preparado para fazer a administração do negócio. Além disso, tem mais lucratividade e recebe informações sobre legislação ambiental, trabalhista e tributária'', destacou o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette. ''Ele (o produtor) planta sabendo o que vai acontecer e aprende a mobilizar a comunidade. Com isso, estamos criando uma nova geração de produtores no Estado'', disse Meneguette. O pré-requisito para participar do Empreendedor Rural é ter o ensino médio completo.
O coordenador operacional do programa, técnico do Senar Paraná, Élcio Chagas da Silva, explicou que o Empreendedor Rural é mantido pelo Sebrae e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e tem o apoio da Faep e da Fetaep. Entre as experiências desenvolvidas dentro do programa ele cita a compra de insumos em conjunto para ter mais poder de barganha, a venda da produção em também em conjunto para obter melhores preços e as associações para a aquisição de máquinas.
O produtor rural Rudiger Boye, que nasceu em Moçambique e hoje mora em Sertaneja, desenvolveu um projeto de produção de biodiesel a partir de pinhão manso. As sementes do pinhão são usadas para a produção de óleo que é misturado ao álcool para a produção do combustível. Entre os resultados que ele obteve estão a geração de trabalho na região e o combustível mais barato para o produtor porque não há a incidência de impostos com a produção própria do óleo. ''O pinhão manso ainda utiliza menos área plantada e produz mais que a soja'', destacou.
O produtor rural de gado de leite e corte de Bandeirantes, Antônio Langrafe, trabalhou durante 35 anos como advogado de um banco em São Paulo na área de execução judicial e extrajudicial. Em 2000, tomou a decisão de voltar a cidade de origem e trabalhar com pecuária. O projeto que ele desenvolveu é a Feira da Lua que deve iniciar no dia 14 de dezembro das 18 às 22 horas. O objetivo é ajudar os pequenos agricultores na venda da produção para que obtenham preços melhores. Até agora, 18 agricultores já confirmaram a participação. ''O agricultor consegue agregar 10% de valor ao produto'', disse.


