Curitiba - O Programa Empreendedor Rural foi encerrado ontem no Expotrade, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, e teve a participação de cerca de 5 mil produtores rurais do Paraná todo. Neste ano, o programa já capacitou 1.049 produtores em 84 turmas e, ao longo dos dez anos de existência, foram 18,5 mil pessoas qualificadas. O trabalho é resultado de uma parceria entre o Sebrae-PR, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep).
O principal objetivo é desenvolver e estimular a capacidade dos produtores rurais paranaenses para que se transformem em empreendedores de projetos e propriedades sustentáveis. Durante o evento, o governador Beto Richa assinou o repasse de R$ 11,7 milhões para o Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado (Fundepec). O fundo foi criado para fazer frente a eventuais situações de emergência na área de saúde animal, como surtos de doenças em bovinos, suínos e aves. O presidente da Faep, Ágide Meneguette, disse que o fundo estava em R$ 35,825 milhões. Com o novo repasse vai para R$ 47,525 milhões.
O Fundepec é formado por recursos recolhidos pelo Estado de produtores, sobre cabeças de gado vacinadas, aves e suínos abatidos e comercializados. O fundo é gerenciado por entidades do setor agropecuário, mas a utilização dos recursos depende de autorização do secretário da Agricultura, em casos como surtos de aftosa, peste suína ou outras doenças.
''Queremos formar uma nova geração de pessoas comprometidas com o meio ambiente e com os programas sociais da comunidade na qual vivem'', destacou o presidente da Faep. ''O importante para os produtores é o governo dar condições para trabalharmos'', disse. No entanto, ele salientou que, em termos de subsídio rural, o País ainda está engatinhando.
Segundo o gerente técnico do Senar, Élcio Chagas da Silva, hoje cerca de 40% dos projetos dos produtores que passam pelo Empreendedor Rural são colocados em prática. Ele contou que são beneficiados com o programa produtores das mais diversas áreas, desde bovinocultura de corte até turismo rural. Entre as vantagens estão conseguir custos menores nas propriedades e renda maior.
O produtor de maracujá e tomate Claudinei Muniz, de Godoy Moreira, participou do programa e começou a produzir tomate em estufa. Com isso, a renda aumentou 100% e hoje ele consegue cerca de R$ 2 mil a R$ 3 mil por mês. ''O produto tem mais aceitação no mercado e é mais resistente. Com o programa aprendi a calcular renda, despesas e administrar o que eu tenho'', contou.
Os produtores Rosineia Pereira da Silva e Hugo Raul da Silva, de Abatiá, trabalharam em um projeto de melhoria da qualidade do café. Eles investiram R$ 35 mil em mecanização nos últimos dois anos e com isso conseguiram produzir um café tipo exportação. Em 2011 foram vendidos 70 sacos de 60 quilos cada para os Estados Unidos e neste ano outros 140 sacos. ''A renda no café exportação teve um aumento de 35%'', contou.

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