Empreendedor beneficia 80 mil paranaenses
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
O Paraná é o estado que mais recebe brasileiros dekasseguis e isso, em relação à economia estadual significa uma injeção de 600 milhões de dólares ao ano - valor que equivale à pauta de exportação de cana-de-açúcar em todo o país.
Mas o retorno ao Brasil não significa estabilidade financeira aos dekasseguis. Muito pelo contrário, a insegurança no investimento e a mal aplicação do dinheiro que eles economizaram (60 mil dólares, em média) é o principal motivo da falência nos negócios.
Para apoiar esses ''futuros empresários'' a criarem seus negócios com um planejamento sustentável, foi criado em 2005, o Programa Dekassegui Empreendedor, que já beneficiou mais de 80 mil paranaenses. Desenvolvido pelo Sebrae, em parceria com o Fundo Multilateral de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID/Fumin) e a Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), o programa atende também os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará, onde existe uma grande concentração de nikkeis.
''O programa tem como objetivo a reintegração social e econômica dos dekasseguis no retorno ao Brasil, por intermédio da abertura de negócios próprios'', ressaltou Silmar Pereira Rodrigues, coordenador nacional do programa, durante evento realizado no mês de julho, em São Paulo.
Outra ação dirigida aos dekasseguis é o Sebrae Itinerante, em que técnicos da instituição viajam ao Japão para oferecer atendimento presencial e estabelecer uma rede de apoio a esse público. ''Em três edições realizadas, percorremos 11 cidades e além disso, iremos ampliar as consultorias à distância, que podem ser acessadas pelo site ou por meio do call-center, que será implantado ainda neste ano'', afirmou Rodrigues. Segundo ele, ''60% dos acessos são originados no Japão''
De acordo com o Marcos Aurélio Gonçalves, coordenador do programa no Paraná, dos 25 mil londrinenses residentes no Japão, 50% planeja a volta ao Brasil. ''Estimamos que eles apliquem cerca de US$ 195 milhões de dólares ao ano na economia do norte do Estado e sabemos que a maioria desses dekasseguis (cerca de 98%) desejam aplicar o dinheiro na área de comércio'', disse.
Segundo Gonçalves, o tempo de permanência dos dekasseguis no Japão saltou de três anos e meio, em 2000, para sete anos, em 2007. ''A justificativa é aumentar a poupança, para ter mais segurança nos investimentos'', ressaltou o coordenador que comprova o sucesso do programa pelo índice de falência dos dekasseguis. ''Em 2004, de cada 10 empresas abertas, oito faliam. Hoje, com o programa, 9,5 permanecem no mercado'', comemorou.


