Empolgação com a Copa eleva em até 30% vendas de carnes e bebidas
Açougues e supermercados já comemoram os reflexos do mundial nas vendas e a expectativa dos varejistas é que o Brasil avance na competição
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 2026
Açougues e supermercados já comemoram os reflexos do mundial nas vendas e a expectativa dos varejistas é que o Brasil avance na competição

Se tem jogador da seleção brasileira fazendo aquecimento em campo durante a Copa do Mundo, as vendas de alimentos e bebidas também aquecem. Antes mesmo de o Brasil disputar a segunda partida no torneio, as vendas de carnes já haviam registrado alta de quase 30% no país e o crescimento das vendas de bebidas ficou perto dos 20%. O aumento foi mensurado pelo Itaú Unibanco com base nos dados de adquirência bancária referente ao primeiro final de semana do mundial em comparação com o mesmo período de 2025.
Londrina acompanha esse movimento. Desde o início da competição, açougues registraram alta de 30% no movimento de consumidores, com uma procura maior nos dias dos jogos do Brasil, e o setor supermercadista já comemora o aumento das vendas de bebidas e petiscos. O desejo dos varejistas é que o time comandado por Carlo Ancelotti avance no torneio porque não há nada melhor do que a empolgação dos torcedores para impulsionar as vendas nesse período.
No dia 12 de junho, véspera do jogo de estreia do Brasil na Copa, o movimento no Empório de Carnes Palhano foi intenso. O proprietário, Henrique Ancioto, observou que as confraternizações começaram já durante o almoço do sábado e se estenderam até à noite, quando a seleção brasileira entrou em campo. Pelo histórico de vendas aos sábados e com base na média mensal, Ancioto afirmou com segurança que o mundial foi o responsável por alavancar as vendas. “As vendas de carne tiveram um aumento significativo. Nos sábados, eu solto algum item em promoção e no sábado passado, para o primeiro jogo, consegui com o frigorífico 50 quilos de bife ancho com margem de 15% para movimentar. Foi bem legal a procura”, comentou.
E como um bom churrasco se faz com variedade de produtos, Ancioto impulsionou as vendas da sua loja com uma ampla oferta de outros itens, como linguiça, asinha de frango, queijo coalho e carvão. “O aumento nas vendas foi de 30%. E para esta sexta-feira (19), já temos promoção e já temos encomendas.”
No Código da Carne, os estoques foram reforçados para a Copa do Mundo. “Com jogos fora do horário comercial é melhor ainda porque o pessoal consegue fazer churrasco à noite”, disse o proprietário, Gabriel Galindo, que também registrou alta de 30% nas vendas no dia 13 de junho quando comparado com um sábado comum. Se o Brasil apresentar bons resultados em campo, a expectativa do empresário é fechar junho com um acréscimo entre 20% e 25% no faturamento. “Quanto mais a seleção avança, melhor para as vendas.”
Mesmo com a redução da oferta de carne bovina no mercado interno, a leve alta de preços e a retração no consumo em geral, Galindo observou que a disposição dos londrinenses para acompanhar os jogos do Brasil não diminuiu. O que encolheu foi o tamanho dos churrascos. “Aqueles churrascos grandes, com muita gente, sete, oito casais, não acontecem mais com tanta frequência. As pessoas estão fazendo reuniões menores em que cada um contribui com algum item. Isso foi sentido. O pessoal está trocando quantidade por qualidade.”
Para aproveitar ao máximo a oportunidade de vendas gerada pelo mundial de futebol, Galindo treinou a equipe de funcionários para incrementar as vendas. Quem entra na loja para comprar apenas a carne do churrasco, geralmente sai com o pão de alho, um molho de pimenta e um pacote de carvão. “A gente tenta oferecer algum produto para elevar um pouco o tíquete. Mas não acredito que mude muito o tíquete médio, porém, mais pessoas acabam fazendo churrasco e aumenta o número de clientes.”
Por sua experiência em copas anteriores, Galindo garante que a animação dos torcedores e o interesse por reunir amigos e familiares aumenta conforme a seleção avança na tabela. “O povo se empolga, os grupos se juntam para ver os jogos e as festas vão ficando maiores”, destacou.
“Quanto mais interessantes os jogos, maiores os churrascos. Agora, se o Brasil não passar, vamos ter entre 10% e 12% de alta nos jogos importantes”, disse Ancioto.
SUPERMERCADOS
Mesmo considerando cedo para medir o impacto da Copa do Mundo nas receitas do setor supermercadista, o superintendente da Apras (Associação Paranaense de Supermercados), Maurício Bendixen, reúne alguns números que indicam o reflexo positivo da competição nas vendas, especialmente de bebidas e petiscos. Nas lojas do Estado, o consumo de salgadinhos já subiu mais de 15% e o de pão de alho, 46%. As carnes, cujas vendas estavam estáveis em razão do preço mais alto, tiveram um avanço um pouco menor, de 4,6% até agora.
Entre as bebidas, as vendas dos refrigerantes aumentaram 17%, as de água cresceram 18% e os energéticos tiveram alta de 34%.
As cervejas são um caso à parte. Quando se analisa a procura por essa bebida, há uma retração de 2,9%, resultado do baixo desempenho dos rótulos mais populares, que nos últimos anos têm caído na preferência dos clientes. Essas, mesmo na Copa, ainda não esboçaram reação. No entanto, as marcas consideradas premium, assim como as versões sem álcool, com teor alcóolico reduzido, sem glúten ou baixa em carboidrato, registraram aumento de quase 19%, apontando para uma mudança nos hábitos de consumo da população.
“A gente compara o mês de junho do ano passado com junho deste ano e a única coisa diferente que teve de um ano para outro foi a Copa”, afirmou Bendixen, reforçando que os números foram impulsionados pelo mundial de futebol. “Agora (na primeira fase), está todo mundo motivado. Mesmo que a seleção não esteja tão boa, as pessoas vão se reunir para ver os jogos. Mas os resultados depois dessa fase vão depender de como o Brasil vai se sair. Quanto mais avança, mais os supermercados vendem. Se o Brasil cai, vem a ressaca.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


