Empoderamento e ativismo são exigências do consumidor moderno
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de janeiro de 2019
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Com mais transparência e informações à mão, o consumidor se tornou um verdadeiro detetive de empresas, e consome somente daquelas que possuem valores similares às dele. O ativismo genuíno e o empoderamento coletivo são duas das microtendências listadas no caderno de Tendências para Pequenos Negócios 2018/2019, lançado no final do ano passado pelo Sebrae.
"Todos os reports reportaram um consumidor mais investigativo. Com o advento da internet, ele tem mais acesso à informação, tudo é mais transparente. Hoje em dia, o consumidor quer saber o que acontece, é ativista em algumas áreas", comenta Maurício Reck, consultor do Sebrae/PR.
Segundo o caderno de tendências da entidade, "o ativismo tem ganhado voz nos últimos anos e tornou-se marca registrada das novas gerações". "Os consumidores estão mais atentos e questionam a conduta das empresas. (?) O consumidor - hoje mais politizado - deseja que as empresas participem de causas com um posicionamento ético, responsável e de ativismo genuíno."
O empoderamento coletivo também é visto como uma tendência, e demanda empresas que ouçam com atenção grupos menos favorecidos e pouco representados anteriormente. "Estes consumidores tendem a seguir e consumir produtos e serviços de empresas que os compreendam e que comuniquem suas mensagens de forma a celebrar as identidades únicas destes grupos", diz o caderno. Assim, o olhar das empresas deve se voltar à representatividade, que hoje é guiada pelo empoderamento, pela igualdade de gênero e pela sororidade.
O próprio nome do negócio de Tatiana Bittencourt Moraes revela a mudança que ela realizou em seu negócio, quatro anos atrás. O Café com Propósito, antigo Gardênia Café, quatro anos atrás se tornou um estabelecimento com menu 100% vegano. A mudança ocorreu depois que a Moraes mudou seus hábitos alimentares. "Mudei minha alimentação e quis ter um local que seguisse isso." Depois de fazer uma pesquisa com clientes e com material sobre tendências, em 2017, a sócia-proprietária viu que estava no caminho certo: os consumidores hoje fazem o "consumo político", procuram empresas que se preocupam com o meio ambiente e que realmente colocam em prática o que falam.
Além de oferecer um menu vegano, o café realiza oficinas, rodas de conversa, exibição de filmes para que, além de se alimentarem bem, os clientes tenham acesso a informações para promover mudanças positivas na alimentação e no estilo de vida, sem necessariamente se tornarem veganas. "Trabalhamos com temas como o autoconhecimento, o papel de cada um no mundo, as escolhas que fazemos, o consumo consciente, a importância de ter uma alimentação com conhecimento de onde vêm as coisas."
Empoderamento feminino
"Você é o que você compra", diz Giulio Peron, diretor-executivo da marca de cosméticos feito brasil, de Mandaguaçu (Região Metropolitana de Maringá), sobre a visão que os millenials e a Geração Z têm hoje sobre o consumo. Para ele, que cresceu em torno das atividades da mãe e fundadora da empresa, Lena Peron, os consumidores de hoje usam a compra como um "ato político" e os seus clientes compram da marca porque se identificam com os seus valores.
A empresa dá prioridade às mulheres na contratação de funcionários e, hoje, 92% dos colaboradores são do sexo feminino. São elas que ocupam os cargos de liderança da companhia. Atualmente, a empresa também realiza uma campanha com a hashtag #fortaleçamulheresnegras, em que 10% das vendas de um produto será revertido para a gravação do EP de uma artista negra, Rúbia Divino. Além disso, a companhia acionou costureiras da comunidade local para a confecção de sacos de tecidos que compuseram a ação de lançamento do produto.
Respeito à diversidade
A falta de eventos da comunidade LGBT na região de Maringá é o que motivou Michael Tamura e os outros sócios a fundarem a Hollic, especializada em eventos voltados ao público LGBT. No ano passado, a empresa realizou um show com a cantora Gloria Groove e uma festa com DJs da cena LGBT, além de um bloco de carnaval chamado "Acorda Menina". Os eventos, no entanto, são voltados ao público em geral e a empresa têm foco, na verdade, no ser humano e no respeito à diversidade de gênero, explica Tamura.
Para o sócio, todos os olhares hoje estão voltados à inclusão e as empresas precisam atender a essa expectativa. "O público questiona, quer saber o propósito, cobra postura das empresas. Hoje, os prestadores de serviços têm que ter um propósito, uma causa."
Caderno de tendências
O caderno de tendências do Sebrae é baseado em análises de 14 relatórios das principais empresas globais de tendências de mercado. O conteúdo é disponibilizado às pequenas e médias empresas para que elas possam planejar um novo negócio ou alavancar uma empresa já existente de olho nas mudanças do comportamento do consumidor. Para conferir, acesse: https://www.sebraepr.com.br/arquivos-gratuitos/caderno-de-tendencias/.


