Crescimento nas vendas registrado pelas concessionárias londrinenses está relacionado às condições de aprovação de crédito por parte dos bancos
Crescimento nas vendas registrado pelas concessionárias londrinenses está relacionado às condições de aprovação de crédito por parte dos bancos | Foto: Gustavo Carneiro



O número de emplacamentos de automóveis e comerciais leves recuou 1,7% no Paraná em 2017 na comparação com 2016, segundo balanço divulgado na quinta-feira, 4, pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Foram 139,8 mil no ano passado ante 141,8 mil nos 12 meses anteriores. Segundo representantes de concessionárias em Londrina, as vendas foram maiores, mas locadoras levam frotas para licenciar em outros estados por conta de taxas e alíquota de IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor).

A média nacional foi de alta de 9,3% entre os dois períodos, com um total de 2,1 milhões de unidades vendidas. Foi o primeiro aumento depois de quatro anos em queda, mas com volume 56% menor que o recorde de 3,5 milhões em 2014.

O crescimento foi puxado por estados como Minas Gerais, que teve alta de 29,48% entre os dois anos no emplacamento de automóveis e comerciais leves. Sede de uma das maiores locadoras do País, o estado atrai outras empresas do tipo com taxas no Detran local e IPVA mais baixos do que em outras unidades da federação. O Paraná dividia esse mercado até 2014, mas o perdeu aos poucos depois do aumento da alíquota do imposto em 2014. "Vendi mais, seguindo a média nacional, mas os emplacamentos foram em Minas. Sei porque o CNPJ das empresas que compraram era de lá", diz o diretor comercial da Fiat Marajó, Eduardo Meneghetti.

Ele considera o crescimento das vendas no ano ótimo, ainda que bastante aquém do período pré-crise. "Basicamente, esse crescimento ocorreu pela melhora nas condições de aprovação de crédito por parte dos bancos, que estavam endurecendo mais anteriormente", diz Meneghetti. Para 2018, a expectativa na concessionária é de manter a alta de 10%. "Mas dizemos no setor que só atingiremos o patamar recorde em 2022", completa.

Na Metronorte, o diretor comercial Waldir Rezende Filho afirma que houve aumento de 23% nas vendas em relação a 2016. "Tivemos muitas promoções e lançamento de novos modelos e as vendas vieram bem ao longo do ano, apesar de terem ficado mais intensas no segundo semestre", diz. Para 2018, ele também mantém o otimismo. "A economia deve melhorar, então estamos entrando com a mesma agressividade em promoções", diz o representante da marca GM em Londrina.

Imagem ilustrativa da imagem Emplacamentos no Paraná recuam 1,7% em um ano



Nova legislação
O governo paranaense elevou a alíquota de IPVA de 2,5% para 3,5% a partir do exercício de 2015. O percentual ainda é o mesmo em 2018, mas uma mudança na redação do artigo 25 da Lei 7.811/1983 visa evitar que os licenciamentos de veículos vendidos por aqui sejam feitos em outros estados. "O Poder Executivo poderá reduzir ou restabelecer as taxas de que trata o caput deste artigo, referentes aos serviços cobrados de empresas locadoras de veículos, até o limite da redução praticada em outras unidades da Federação, como forma de preservar a economia paranaense e de evitar grave dano à arrecadação tributária", cita, no novo texto.

Motos e pesados em alta
O Paraná teve aumento de 11,5% nos emplacamentos de motos, que foram de 30,3 mil em 2016 para 33,8 mil em 2017. A diferença ajudou a anular as perdas em veículos leves e fez com que o Estado fechasse com variação levemente no azul, de 0,05%, e 190,1 mil unidades vendidas entre todos os produtos.

Outro segmento com recuperação expressiva foi o de ônibus, com alta de 19,1%. O número passou de 795 em 2016 para 947 no ano passado. Já o de caminhões, que é significativo no Paraná pela força do agronegócio e dos transportes de cargas, ficou levemente negativo, em 0,2%, ou 12 unidades a menos do que as 5.028 do ano anterior.

Venda de veículos leves para pessoa física cai 0,3% em 2017

São Paulo – Embora o mercado de veículos tenha voltado a crescer em 2017, a abertura do balanço divulgado nesta quinta-feira, 4, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), associação que representa as concessionárias no Brasil, mostra que a comercialização dos chamados veículos leves, que somam os segmentos de automóveis e comerciais leves, ainda está em queda na categoria "venda varejo", voltada ao consumidor pessoa física. No ano passado, foram 1,303 milhão de unidades vendidas nesse recorte, 0,3% a menos que o volume alcançado em 2016.

Portanto, quem sustentou a alta do mercado de veículos leves em 2017, que cresceu 9,3%, foi o canal da "venda direta", categoria que recebe este nome porque se trata de uma venda feita diretamente pela fabricante para o consumidor final, que em geral é uma pessoa jurídica, como locadoras, frotistas e produtores rurais.

No ano passado, as compras de veículos leves feitas por empresas somaram 868,6 mil unidades, expansão de 27,9% em relação ao ano anterior.

Por outro lado, quando se observa somente a comercialização de automóveis, excluindo os comerciais leves, houve crescimento para todos os tipos de cliente: 7,8% na venda varejo e 14% na venda direta. A exclusão dos comerciais leves é importante porque é um segmento mais voltado a empresas, enquanto os automóveis são mais demandados pelo consumidor comum.

2018
A Fenabrave informou que espera crescimento de 11,8% nas vendas em 2018, para 2,5 milhões de unidades, em conta que considera automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Na projeção para os chamados veículos leves, que somam os automóveis e comerciais leves e representam mais de 90% do mercado total, a Fenabrave estima expansão de 11,9%, para 2,43 milhões de unidades.

No caso dos caminhões, a expectativa é de avanço de 9,5%, para 57 mil unidades. Entre os ônibus, a previsão da Fenabrave é de expansão de 5,4%, para 15,9 mil unidades. (André Ítalo Rocha/Agência Estado)

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