As vendas de motocicletas dispararam na pandemia de Covid-19 e seguem em alta até agora. As indústrias fecharam o primeiro semestre de 2023 com o melhor resultado alcançado em oito anos. As fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 764.271 motocicletas entre janeiro e junho deste ano, um crescimento de 13,9% sobre o mesmo período de 2022, segundo levantamento da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

A indústria aquecida reflete o comportamento do varejo, que nos últimos anos vem registrando grande procura por esse tipo de veículo, especialmente os de baixa cilindrada, os mais requisitados e para os quais algumas marcas trabalham com lista de espera. No primeiro semestre, os emplacamentos no país somaram 780.070 motocicletas, alta de 22,5% sobre 2022. Deste total, 68.773 unidades foram emplacadas no Sul do País uma alta de 8,0%. No Paraná, foram 29.045 emplacamentos, um incremento de 8%; em Londrina, foram 1.723, o que representa um crescimento de 8,8%..

Quem atua no varejo de motocicletas observa que o crescimento das vendas acompanhou a alta de preços dos combustíveis, dos custos de manutenção de automóveis e aumento dos impostos incidentes sobre veículos automotores. As motos são o meio encontrado por quem quer economizar com deslocamentos sem ter que recorrer ao transporte público. Mas o aumento do custo de vida explica em parte a expansão do setor. A popularização cada vez maior dos aplicativos e serviços de entrega, que não arrefeceu com o fim da pandemia, associada à escassez de postos de trabalho formais, tem levado muita gente a utilizar a moto como meio de trabalho.

“A moto é bem mais econômica. Uma moto nova tem pelo menos dois ou três anos de baixa manutenção. Em um ambiente de crise, a moto é uma solução e a gente vê que existe uma reação do público imediata em querer economizar. Com o dinheiro que se economiza só com o combustível de um carro, é possível pagar a prestação de uma moto”, comparou o proprietário da PB Moto, em Londrina, Cesar de Oliveira. “E a moto também surge como alternativa imediata ao desemprego. A pessoa compra uma moto e no mesmo dia está trabalhando.”

Para quem utiliza a moto como meio de locomoção ou para quem tem nela um instrumento de trabalho, a preferência são os modelos de baixa cilindrada e as motonetas. Oliveira calcula que 60% das unidades comercializadas em sua loja sejam entre 125 e 150 cilindradas. Quem compra uma moto na versão street pode ter de esperar até 30 dias para sair pilotando. É essa a média de tempo de espera para os modelos mais populares, que custam entre R$ 15 mil e R$ 16 mil. Na PB Moto, são vendidas entre 70 e 75 unidades dos modelos mais econômicos por mês.

Na Kallas Moto, que tem lojas em Londrina, Cambé e Arapongas, a fila de espera é maior. Para os modelos de 160 cilindradas, os mais vendidos, o veículo não chega até a garagem dos clientes em menos de 60 dias. A consequência é a alta de preços, com o fim dos descontos. “Motonetas eu ainda tenho em estoque. Mas para as motocicletas, falta produto e eu não posso trabalhar com margem”, disse o gerente de Vendas da concessionária, José Carlos dos Santos Junior. Além dos profissionais que têm na moto o seu ganha-pão, segundo ele, entre os clientes da loja tem sido muito comum aqueles que tinham dois carros e resolveram substituir um deles pela motocicleta.

Não fosse a oferta abaixo da demanda, afirmou Santos Junior, a loja estaria comercializando 15% a mais. Ainda assim, o grupo tem entregado uma média de 300 motos ao mês na Região Metropolitana de Londrina, sendo entre 150 e 180, em Londrina. Os preços dos modelos mais vendidos variam entre R$ 17.861 e R$ 21.200. “As pessoas estão fugindo dos financiamentos por causa dos juros altos e a gente entrega muitas motos adquiridas em consórcio.”

EMPLACAMENTOS

Apesar do resultado de junho ter apontado retração no volume de produção, com queda de 6,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, os emplacamentos no semestre somaram 780.070 motocicletas, uma expansão de 22,5% na comparação com o período de janeiro a junho de 2022. Apenas em junho, foram emplacadas 140.387 unidades, alta de 16,2%. Com 21 dias úteis, a média diária de vendas no mês passado foi de 6.685 motocicletas, mostrou o levantamento da Abraciclo.

No ranking de emplacamentos, a entidade aponta a liderança das versões street no país. No primeiro semestre deste ano foram 408.942 unidades emplacadas, o que corresponde a 52,4% de participação no mercado. Em segundo lugar está a versão trail, com 145.364 unidades e 18,6% de participação, seguida pela motoneta, com 104.543 emplacamentos, equivalente a uma fatia de 13,4%.

Somente em junho de 2023, foram emplacadas 72.991 unidades das versões street, 25.918 das trail e 19.767 motonetas.

De acordo com levantamento da Abraciclo, foram licenciadas 114.816 motocicletas de baixa cilindrada em junho, o que representa 81,8% do mercado. Os modelos de média cilindrada tiveram 21.120 unidades emplacadas (15% do mercado) e os modelos de alta cilindrada somaram 4.451 emplacamentos (3,2%).

Mas embora as vendas de motocicletas de baixa cilindrada ainda detenha a maior fatia do mercado, os modelos de média cilindrada registraram o maior crescimento em junho deste ano, com avanço de 29,8% sobre junho de 2022.

REVISÃO DAS PROJEÇÕES

Com o balanço semestral finalizado, a Abraciclo revisou sua projeção de produção para 1.560.000 unidades em 2023 – alta de 10,4% na comparação com 2022. “Alcançamos a melhor marca de motocicletas produzidas no primeiro semestre desde 2014. Com base nas projeções dos associados, aliado a um cenário macroeconômico favorável para o segundo semestre, acreditamos que a indústria alcançará um crescimento na ordem de mais de 10%”, afirmou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento.

A associação também revisou as estimativas de vendas no varejo e de negócios com o mercado externo. Os licenciamentos devem totalizar 1.511.000 unidades, com expansão de 10,9% ante 2022, e as exportações devem sofrer retração de 11,5%, com 49.000 motocicletas embarcadas.(Com Agência Brasil)

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