Emissão de passaportes bate recorde em 2013
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O número de passaportes emitidos pela Polícia Federal (PF) no País bateu recorde no ano passado e chegou a 2,131 milhões. Segundo balanço divulgado ontem, a quantidade é 9,66% maior do que os 1,943 milhão de 2012 e 1,7% superior aos 2,094 milhões do teto anterior, de 2011. Resultado que é motivado pelo crescimento do poder aquisitivo da população, pela maior facilidade para obtenção do documento e pelo aumento das viagens para fazer compras no exterior.
O coordenador geral de Polícia da Imigração da PF, José Luiz Povill, afirma que o aumento da renda levou muitos brasileiros a viajar ao exterior. Ele diz que o recorde é também fruto dos investimentos da instituição, na busca pela melhoria nos serviços prestados. Desde 2010 os passaportes brasileiros passaram a contar com a tecnologia com padrão ICAO, com chip que facilita as operações em países que contam com portais eletrônicos. "A procura pelo documento de viagem exigiu esforços da PF para corresponder à demanda crescente."
Para o professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é preciso considerar ainda que a demanda por passaportes é impulsionada pelo fato de o real ainda estar sobrevalorizado em relação ao dólar, mesmo com alta de quase 15% no valor da moeda norte-americana no ano passado. "Também é preciso lembrar que as passagens aéreas ficaram mais acessíveis em relação a oito ou dez anos e que a economia brasileira passa por um processo de internacionalização, com aumento das viagens de empresários para feiras, para buscar fornecedores e para vender seus produtos", diz.
Condições atrativas
Nas agências, a procura por destinos internacionais tem aumentado. A consultora de viagens Débora Sorgi, da londrinense Navega Tur Agência de Viagens e Turismo, conta que os custos de pacotes para o exterior podem ser iguais ou até menores do que os cobrados para os pontos turísticos mais comuns no Brasil, como as praias do Nordeste. "A pessoa chega na agência já sabendo disso. Mostramos simulações de destinos nacionais e internacionais porque é o nosso trabalho, mas muitas vezes o cliente prefere viajar para fora", afirma.
Pesquisa divulgada na semana passada pelo Instituto de Pesquisas, Estudos e Capacitação em Turismo (Ipeturis) aponta que a os Estados Unidos, tradicional rota de compras para o brasileiro, é o destino preferido para 60,1% das pessoas que pretendem fazer viagens internacionais neste início de ano. Argentina (16,5%) e França (7,9%) completam o pódio. Dentro do País, a liderança é do Ceará (23,4%), seguido por Rio de Janeiro (17%) e Bahia (12,7%).
Débora acredita que a oferta de crédito, já que as viagens chegam a ser parceladas em até dez vezes, também ajuda. Ainda, diz que está muito mais rápido conseguir visto para entrar nos EUA do que há alguns anos. "Até porque o brasileiro gasta muito em compras por lá e eles estão facilitando. E, apesar da alta do dólar, vale a pena comprar lá."
Saldo
Um dos reflexos do aumento das viagens e do consumo no exterior é a saída de dólares do Brasil, o que se reflete na balança comercial. O saldo no ano passado, positivo em US$ 2,561 bilhões, foi o pior desde 2000 e foi 86,8% inferior ao registrado em 2012, de US$ 19,396 bilhões, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Porém, o professor de economia diz que o turismo não pode ser usado como desculpa para o desempenho econômico do País. "É positivo para o brasileiro viajar mais, conhecer outras culturas. Se nossas exportações tivessem crescido, ninguém questionaria as viagens. Temos de resolver nossos problemas internos e deixar o brasileiro viajar", afirma Moraes Neto.



