A cada ano, o número de cheques compensados no Brasil cai cerca de 10%. De 2004 para 2014, a redução foi de 64%, de 2,106 milhões para 755 mil compensações. Esta forma de pagamento caminha para a extinção. Muitos empreendimentos comerciais não a aceitam. Mas, ainda tem gente que não sai de casa sem talão de cheques na carteira.
É o caso da advogada londrinense Fernanda Coutinho Rabello Isolani. "A maioria das contas eu pago on-line ou no cartão. Mas há certos serviços, como a psicopedagoga das crianças, que só pago com cheque porque ela não aceita cartão e nem emite boleto", descreve.
A agência bancária da advogada fica em Curitiba, onde ela morava. E a gerente envia todo mês os talões para Londrina. "Está sempre na minha carteira. Meu marido não usa mais cheque", conta. Síndica no prédio onde mora, Fernanda também usa cheque para as contas do condomínio. "Faço compras parceladas com cheque para o prédio", declara.
Os estabelecimentos que já deixaram de aceitar cheques dos clientes não sentem saudade desta forma de pagamento. É o caso da loja de roupas Mileniun. "Já faz uns seis anos que não aceitamos. No começo, os clientes reclamavam. Hoje ninguém nem pergunta mais se aceitamos cheque", diz a subgerente da unidade do calçadão,
Sandra Antoniasse. Segundo ela, por causa da alta inadimplência, o cheque tornou-se inviável. "O cartão é mais prático e, para nós, é tranquilidade porque não temos de nos preocupar com inadimplência e em cobrar clientes", declara.
Na Gigante da Sergipe, o cheque não é mais aceito há três anos. "A segurança dos cartões compensa o custo que a gente tem com as administradoras", diz a proprietária Nágila Nabhan. Ela conta que nunca teve muitos problemas com devolução de cheque. "Mas os clientes foram deixando de pagar com cheque e passaram ao cartão, que é mais prático e seguro", alega.
Diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Fernando Maurício Moraes afirma que a maioria dos estabelecimentos ainda aceita cheques, mas que eles representam hoje um porcentual mínimo dos pagamentos. "Na minha loja, por exemplo, só 0,14% das compras são pagas em cheque."
Segundo o Indicador Serasa Experian de Cheques Sem Fundos, o primeiro semestre deste ano teve recorde de devoluções. O porcentual foi de 2,19%, só perdendo para o mesmo período de 2009, em plena crise financeira internacional, quando o índice chegou a 2,30%. De acordo com a instituição, o fato se deve principalmente aos reflexos do aumento do desemprego, da inflação e das taxas de juros na capacidade de pagamento dos consumidores.

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