São Paulo - Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez um alerta em seu relatório World Economic Outlook: a alta dos juros nos Estados Unidos é um ''risco importante'' para a América Latina, continente que ainda tem necessidades grandes de financiamento externo. Mas, em comparação com outras épocas, o Brasil está muito mais preparado para a alta nas taxas internacionais, acreditam economistas.
A dívida externa total das empresas brasileiras caiu quase 25% desde 2000, chegando a US$ 74 bilhões no final de 2003. Isso deixa as companhias menos vulneráveis a uma eventual explosão do dólar. ''A dívida externa caiu, o câmbio não está tão sensível e há proteção cambial suficiente caso haja uma reversão nos fluxos de capitais'', diz Júlio Callegari, economista da Tendências Consultoria Integrada.
A expectativa é que o Fed, o Banco Central americano, comece em agosto a elevar os juros, atualmente em 1%, e as taxas cheguem a 1,5% ou 2% em dezembro. Com isso, haverá migração de capitais estrangeiros para títulos americanos, o que pode causar um encarecimento no financiamento das empresas brasileiras e uma pressão sobre o câmbio.
''Mas não teremos nenhuma situação de interrupção súbita dos fluxos de capitais (sudden stop) para os mercados emergentes, como ocorreu em 1998, com a crise asiática, e em 2002, com o 11 de setembro e os escândalos corporativos'', diz Paulo Vieira da Cunha, diretor de pesquisas para a América Latina do HSBC Securities em Nova York. ''Não se trata de uma parada abrupta, as portas não vão se fechar para os emergentes. O capital estrangeiro vai ficar mais caro, e as empresas vão reconsiderar financiamentos.''
Segundo ele, a vulnerabilidade da economia brasileira está bem menor, por causa do ajuste externo realizado após as eleições. O Brasil deve encerrar o ano mais uma vez com superávit em conta corrente. Para Cunha, os prazos devem se encurtar e as taxas exigidas vão subir, mas o mercado não vai se fechar. Se a Petrobrás estava captando por dez anos a 8,5% (4% acima dos títulos do tesouro de 10 anos), exemplifica Cunha, esse spread pode subir para 5%, no máximo.
Callegari não acredita que o câmbio será muito abalado com a elevação dos juros. E, mesmo que haja uma alta do dólar, há oferta suficiente de proteção cambial (hedge), afirma. ''É razoável supor que haja cobertura suficiente.''

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