A 'familiaridade' com o economês leva o consumidor à falsa idéia de conhecimento. Nem tudo o que é lido ou ouvido no noticiário é entendido perfeitamente. Por vergonha ou ilusão, muita gente se diz capaz de traduzir esta linguagem considerada complicada até mesmo por diplomados. Mas, na hora de se explicar surge a comum 'embromação'.
A estudante Amanda Cristina Montenegro Ferrão, por exemplo, diz que a escola ajuda muito, mas confessa que raramente acompanha notícias sobre economia. A agente comunitária de saúde Vilma Kruleski Hamada sabe o que é inflação, embora sinta falta de tempo para se informar. ''Realmente, é um vocabulário dificílimo para se entender, principalmente para a grande massa sem instrução'', opinou o corretor de seguros Lauro Sodré da Veiga Junior. Para a administradora Noemi da Silva, a ignorância teórica não impede o consumidor de entender o que acontece a sua volta e nem os responsáveis pela queda no orçamento. ''Ele sente a realidade no bolso'', explica.
Simões concorda com Noemi e justifica sua opinião com a mudança de comportamento da população. Para ele, o hábito de elaborar uma lista de compras, usar a calculadora no supermercado, procurar ofertas e abandonar a compra mensal é sinal de que o povo está mais consciente. ''A crise que vivemos afeta todas as classes sociais desde o desempregado até o empresário. Não há mais como piorar. Nossa economia está no fundo do poço. Por isso, a expectativa é que o País reaja daqui para frente. Afinal de contas, o novo governo está no poder há mais de seis meses''.

mockup