A Embratel assegurou ontem que tomou todas as precauções para que não haja problemas com os serviços de telecomunicações em função do leilão do Sistema Telebrás. A estatal está rastreando um telefonema anônimo que seus funcionários receberam ontem, com uma ameaça de bomba no edifício do Rio. A empresa informou que mandou reforçar a segurança e a vigilância em todas as suas instalações de operações por todo o País. Nas localidades em que tem dificuldade de contratar segurança particular, está usando policiais militares.
O telefonema avisando sobre a existência de uma bomba no edifício da Embratel, que também deve ser leiloada hoje, foi recebido às 14h45. Os funcionários não chegaram a sair do prédio, e a estatal continuou funcionando normalmente, mantendo aberta apenas uma pequena porta de acesso - as demais portas já tinham sido fechadas mais cedo, por causa dos manifestantes que estavam se concentrando em frente à sede.
As primeiras investigações indicam que o telefonema não foi dado de um telefone público. Anteontem, estações da Embratel em Santa Catarina foram, conforme a empresa, alvo de atentados com explosivos.
Na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, palco dos leilões, o sistema de segurança para a realização da operação está pronta: a entidade criou alternativas, que vem mantendo em segredo, para o caso de haver uma falha geral nas comunicações decorrente de sabotagens. Até faixas de rádio-cidadão poderão ser usadas.
Além disso, um forte esquema de segurança nas proximidades da Bolsa foi montado. Cerca de 3 mil homens das Polícias Militar e Civil ficarão num raio de 500 metros em torno da bolsa. Alguns policiais a cavalo e outros com cães vão ficar na entrada do acesso de convidados e de representantes de empresas interessadas em participar do leilão.
‘‘Queremos que o leilão ocorra sem problemas’’, afirmou o comandante do policiamente da capital, coronel Jorge Lindolfo. Ele afirmou que o número de policiais pode ser maior se houver um grande número de manifestantes em frente ao prédio da bolsa. ‘‘Não vamos tolerar conflitos que prejudiquem o leilão.’’
Ele disse que um caminhão-tanque Brucutu, que lança jatos de água para reprimir manifestações, ficará amanhã na Avenida Primeiro de Março, próximo à entradada de acesso à bolsa. ‘‘O Brucutu só será usado caso haja um grande tumulto, como ocorreu no ano passado, no leilão da Vale do Rio Doce.’’
O esquadrão Anti-bomba da Polícia Civil e as delegacias do centro ficarão em regime de prontidão por causa do leilão. Policiais civis à paisana serão infiltrados entre manifestantes para filmar os protestos, segundo Lindolfo. Dentro da bolsa, ficarão 150 seguranças contratados.
Quanto à Telerj, não informou se montou algum esquema de segurança para prevenir-se contra sabotagens. Conforme a assessoria de imprensa da empresa, que igualmente vai a leilão (ela integra a chamada Tele Norte Leste), o próprio silêncio sobre o assunto seria uma forma de evitar danos, porque a discussão pública sobre o tema pode servir de incentivo às depredações.
O presidente da Telecomunicações do Espírito Santo (Telest), Laerce Machado, informou que a empresa não montou nenhum esquema de segurança contra danos. ‘‘No Espírito Santo não houve este tipo de problema e não vejo motivo para tomarmos medidas especiais de precaução’’, justificou.
A assessoria de comunicação da Telest informou que as telefônicas deixaram a tarefa para a Embratel, que divulgou pela imprensa que assumirá a formação de um esquema segurança adicional do sistema de telecomunicações em todo o País.
A Telest e Telerj fazem parte do grupo de 16 empresas que formaram a Tele Norte Leste. A telefônica carioca já foi chamada de a pior do setor pelo falecido ministro das Comunicações, Sérgio Motta. Tanto que mereceu até uma home page na Internet somente de críticas, intitulada ‘‘Eu Odeio a Telerj’’.
Um exemplo da razão de tantas reclamações foi o fato de, ontem, o próprio presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), André Lara Resende, ter tido dificuldade em completar ligações telefônicas para fora do estado. O índice de ligações perdidas por congestionamento do sistema da Telerj, como aconteceu com Resende, chega a 15,5%, quando a média internacional aceita é de no máximo 5%.Otávio Magalhães/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Segurança máximaPoliciais patrulham a Bolsa Rio: cerca de 3 mil homens foram escalados para garantir a realização do leilões de hojeEmpresa mandou reforçar a vigilância e a segurança em todas as suas instalações de operações por todo o País

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