A pirataria telefônica, como é conhecido o golpe de centrais clandestinas, representou um prejuízo de R$ 400 milhões para a Embratel no ano passado. A empresa começou a detectar o golpe em 1997 e, desde então, vem alertando as operadoras telefônicas locais sobre o problema.
Este ano foram encontradas centrais clandestinas no Paraná, Rio de Janeiro, Acre, São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
A Embratel (Empresa Brasileira de Telecomunicações) ainda não fez um balanço dos prejuízos este ano, mas as operadoras locais estimam perdas de R$ 200 mil a R$ 300 mil reais por mês.
Embora a investigação desse tipo de crime seja atribuição da Polícia Civil, o ministro da Justiça, José Gregori, determinou que a Polícia Federal acompanhe todos os casos para saber se há algum vínculo com o terrorismo internacional. A suspeita surgiu porque várias chamadas que partiram de centrais clandestinas foram feitas para países do Oriente Médio.
O assunto é tão preocupante que a Embratel criou até um sistema anti-fraude para detectar e bloquear linhas usadas em centrais clandestinas temendo que os golpes aumentem ainda mais.
Segundo a Embratel, até mesmo linhas de telefones públicos têm sido usadas nos golpes - em Guarapuava, foi descoberto um telefone público, em frente a um colégio, com mais de R$ 3.000 em ligações não-pagas para o exterior.
De acordo com a Polícia Federal, existem duas modalidades de golpe: a clonagem de telefones celulares - em que aparecem chamadas que o assinante não fez, geralmente para outros países -, e a habilitação de linha convencionais - neste caso, o telefone é usado até que venha a primeira fatura, que não é paga.
O fato de aparecerem várias ligações para países árabes é atribuído às altas tarifas que as operadoras cobram para chamadas realizadas para estas regiões, segundo a Embratel.
De acordo com a empresa, a fraude aumentou a partir de 1997 por causa da facilidade na obtenção de linhas telefônicas com documentos falsos e o aumento na oferta de telefones. A Telepar informou que o critério para instalação de linhas telefônicas, além das facilidades técnicas no endereço requisitado, é que o cliente não esteja inadimplente com a companhia.
A PF está à procura de um árabe identificado como Afif Najib Eid, apontado pelo garçom Ederaldo Félix dos Santos, 33, como responsável pela implantação de centrais clandestinas em Maringá e Sarandi (Norte do Paraná). Santos, que foi preso na semana passada operando uma central, disse que conheceu Eid em Foz do Iguaçu (Oeste do Estado) e foi convidado a trabalhar para ele.
PF está à procura de um árabe que teria instalado centrais piratas em Maringá e Sarandi

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