A Embratel vai investir R$ 1,5 bilhão no próximo ano para ampliar os negócios no mercado de telefonia de longa distância nacional e internacional no Brasil. A informação foi dada pelo presidente da companhia, Jorge Rodriguez, após reunião, ontem, na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O encontro serviu para avaliar as metas de qualidade e de atendimento à população.
Segundo Rodriguez, a Embratel estará investindo R$ 4,15 bilhões entre 1999 e 2001, ou seja, três vezes mais do que a média de investimentos no período em que a empresa era estatal. Um balanço divulgado pela agência reguladora informou que a Embratel tem problemas referentes as queixas dos assinantes sobre erros nas contas de telefone e a taxa de congestionamento da rede telefônica é bastante elevada. O vice-presidente de Marketing e Serviços da Embratel, Eduardo Levy Moreira, explicou que os telefonemas dados para o telessexo são responsáveis por mais da metade das reclamações dos consumidores referentes a erros nas faturas.
Já o congestionamento da rede, segundo o diretor de Operações e Rede da Embratel, Ivan Campagnolli Junior, tem como um dos responsáveis o programa da Ana Maria Braga, na Rede Globo. Campagnolli explicou que a apresentadora dá prêmios para o telespectador que consegue telefonar para determinado número da emissora. Milhares de pessoas tentam insistentemente ligar, fato este que contribui para o desempenho insatisfatório na avaliação de taxa de chamadas completadas.
Rodriguez disse que a empresa controlada pelo conglomerado americano MCI/WorldCom irá buscar cumprir todas as metas fixadas pela Anatel para que possa, a partir de janeiro de 2002, ser autorizada a entrar em outros nichos deste mercado de telecomunicações. Na prática, a Embratel quer oferecer serviços que atualmente são restritos às operadoras estaduais.
‘‘A Embratel quer cumprir todas as metas e, se possível, antecipá-las para que possamos entrar em outros mercados’’, afirmou Rodriguez. O executivo explicou que a empresa está preparada para os desafios estabelecidos pela agência reguladora. No entanto, Rodriguez assegurou que a Embratel manterá a disposição de recorrer ao Poder Judiciário contra decisões da agência reguladora ou do governo que forem contrárias aos interesses da companhia.
Por considerar que a Embratel não é a única culpada pelo caos ocorrido no ano passado, quando houve a mudança do modelo de ligações nacionais e internacionais, os advogados da companhia obtiveram uma liminar que suspende temporariamente a cobrança de multas que chegam a R$ 55,7 milhões.
Para a Anatel, a companhia deixou de cumprir algumas metas de qualidade que este ano passariam a ser cobradas, inclusive podendo resultar em multas de até R$ 50 milhões.

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