Representantes da Empresa Brasileira de Tecelagem e Confecções (Embratec), de Assaí (36 km a leste de Londrina), se reuniram ontem na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio local com um grupo de operárias que reivindicam o pagamento de salários atrasados e de outros encargos trabalhistas.
Descapitalizada e impotente perante a concorrência de produtos importados, a Embratec fechou as portas na terça-feira, desempregando 80 costureiras e auxiliares.
A confecção sofreu um duro golpe em suas finanças no ano passado, quando um incêndio destruiu todo seu estoque de tecidos. A Embratec produzia camisas desde 1996, época em que chegou a ter 500 funcionários e produzir 3,5 mil peças/dias. Nos últimos dias de operação, a produção atingia apenas 600 peças diárias.
‘‘Ainda não descartamos um possível retorno das atividades, mas para isto dependemos da seguradora, que nos deve a apólice referente ao acidente. Com estes recursos nos capitalizamos, quitamos nossas dívidas e possivelmente reabriremos a fábrica’’, disse à Folha Valdecir Aparecido Borges da Silva, gerente de Recursos Humanos, que representou os proprietários na reunião de ontem.
Porém, são poucas as funcionárias (cujos salários variam de R$ 163,00 a 188,00) que acreditam que terão o emprego de volta. Segundo elas, desde agosto os pagamentos começaram a atrasar e simultaneamente encomendas passaram a rarear. Nos últimos meses, a produção parou duas vezes em virtude de greves–relâmpagos. ‘‘Eles estão nos enrolando há muito tempo. Não sei mas o que fazer, tenho um monte de dívidas. Agora além de salário, estou sem emprego ’’, lamenta Ana Cláudia Alves da Silva, que é solteira e dependia do salário para sobreviver e sustentar a filha de sete anos.
Na reunião de ontem, as duas partes concordaram em levar o caso à Justiça trabalhista, a fim de que haja uma garantia para as duas partes.

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