Embrapa vai lançar soja transgênica
Sérgio Bueno
Agência Estado
Dentro de um ano e meio, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estará lançando uma linhagem de soja transgênica, resistente ao herbicida Imazapir. A planta, que ainda não tem denominação comercial e poderá ser desdobrada em diversas variedades, está passando por testes de segurança nutricional e ambiental, processo que exige cerca de dois anos, explicou ontem o pesquisador Francisco Aragão, da Embrapa-Cenargem (Centro Nacional de Recursos Genéticos), de Brasília.
Aragão, que participou do simpósio de abertura do 45º Congresso Brasileiro de Genética, em Gramado (RS), explicou que o desenvolvimento de uma linhagem de soja transgênica requer a produção inicial de 200 plantas resistentes ao herbicida. Destas, selecionam-se as dez mais estáveis, com maior capacidade de gerar descendentes também resistentes, que são submetidas a doses de herbicida três vezes superiores às aplicadas nas lavouras convencionais. Daí separam-se as cinco melhores, mas apenas uma delas será levada aos testes de segurança.
São testes muito caros, disse o pesquisador. Segundo ele, o custo das experiências com a linhagem final alcançam R$ 1 milhão. Considerando-se o trabalho, desde sua fase inicial, o orçamento chega a R$ 4 milhões. A pesquisa da Embrapa, neste caso, começou há dez anos.
Riscos Aragão explicou que os riscos ambientais da soja transgência são pequenos, quase não existem já que ela não tem possibilidade de cruzamento com outras plantas e o perigo de polinização cruzada com outro tipo de soja é de apenas 1%. O maior problema é a capacidade das ervas daninhas de adaptarem-se ao herbicida ao qual a cultura é resistente, eliminando os benefícios da transgenia.
Para Aragão, a solução seria um trabalho conjunto das empresas que desenvolvem as plantas geneticamente modificados, mas ele reconhece a dificuldade comercial dessas alternativas. Como opção, à medida em que surgirem fornecedores diferentes no mercado (atualmente só há a Monsanto), o pesquisador recomenda que os produtores façam um rodízio entre tipos de sementes que irão utilizar em suas lavouras.
Feijão Aragão disse ainda que dentro de dois anos a empresa concluirá o desenvolvimento de uma variedade de feijão resistente ao vírus mosaico dourado do feijoeiro do campo. A doença, que é transmitida pela mosca branca, é responsável pela quebra de 40% a até 100% das lavouras em Estados mais quentes, como Bahia, Goiás, Mato Grosso e até no Paraná, segundo o cientista.





