Curitiba - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também está pesquisando alimentos transgênicos de segunda geração. O Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília, está criando um banco de genes de várias espécies animais e vegetais para enriquecer grãos de soja e de outras plantas destinadas à alimentação humana.
O objetivo da pesquisa também é o de oferecer óleos enriquecidos com vitaminas e ácidos graxos importantes para o consumo humano. Além da transgenia, a Embrapa está recorrendo ao estudo do genoma de vários produtos para desenvolver alternativas com características importantes para o consumo humano.
Uma das linhas de pesquisa seguidas pela Embrapa, repete a Monsanto, que é a introdução do Ômega 3, por meio de transgenia, nas sementes de soja. O gene que está sendo prospectado em várias espécies de peixes e plantas também não foi revelado.
Outra pesquisa que vem sendo conduzida pela Emprapa visa a utilização da soja como vetor para produção da insulina e do hormônio do crescimento. ''São produtos fármacos que correspondem à terceira geração na linha de transgenia'', informou o pesquisador Alexandre Nepomuceno, da área de biotecnologia da Embrapa Soja, de Londrina. Segundo o pesquisador, 70% da insulina disponível é modificada geneticamente, a partir de bactérias e fungos. A instituição está pesquisando a introdução, nas plantas, dos genes encontrados nesses vetores.
Ainda com a soja, a Embrapa se associou à multinacional Basf, para pesquisa de uma nova variedade de soja transgênica, resistente a outros tipos de herbicidas existentes no mercado. O resultado pretende ser uma alternativa à soja transgênica resistente ao Roundup Ready (RR), da Monsanto. Nessa associação, a pesquisa está utilizando o gene da Basf com a tecnologia patenteada pela Embrapa. Essa variedade deverá estar disponível no mercado dentro de três a quatro anos. A Embrapa já lançou 13 variedades de soja transgênica RR no mercado.
Para o chefe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília, José Manuel Cabral, não é só a transgenia que oferece oportunidades de desenvolvimento de substâncias importantes nos alimentos. Segundo ele, o estudo do genoma também permite gerar alimentos conforme as tendências de mercado.
Cabral ressaltou que em alguns casos, não há como dispensar a transgenia. Destacou, porém, que a Embrapa está pesquisando uma variedade de banana com maiores teores de vitamina C e carotenóides, a partir das informações decifradas do genoma da fruta. Também está em curso pesquisas com café, cujo teor de cafeína pode ser maior ou menor, conforme a exigência do consumidor.
''O estudo do comportamento dos gens permite essa interferência na estrutura das plantas. Depois de compreender a genética, podemos identificar as rotas metabólicas ligadas à produção das moléculas e enzimas'', explicou.''Com os conhecimentos adquiridos pelo projeto genoma fica mais fácil recorrer à biotecnologia para fazer o melhoramento convencional dos alimentos'', acrescentou.

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