Embrapa prevê 26,7 milhões de sc
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2000
Gecy Belmonte Agência Estado 
A safra de café 2001/2002, cuja colheita começa em maio do próximo ano, deverá ser de 26,7 milhões de sacas, informou ontem o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Será uma safra 4,4 milhões de sacas - ou 14% - menor que a safra de 2000/2001. O levantamento de campo feito pela Embrapa indicou que as estiagens ocorridas em 1999 e 2000 provocaram acentuados déficits hídricos nos cafezais, especialmente na região Centro-Sul do País, causando danos cumulativos ao desenvolvimento das plantas.
A queda maior na produção está prevista em 14% e estará concentrada nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, segundo informou o secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Cézar Samico. No sul de Minas a redução será maior, ficando entre 20% e 23%.
Nessa região, haverá prejuízo para a lavoura devido, principalmente, à falta de chuvas. O déficit hídrico chegou 180 mm até setembro.
O Estado do Paraná perderá 80% da produção na safra 2001/2002, colhendo apenas 400 mil sacas, principalmente nas lavouras velhas, atingidas pela estiagem por dois anos consecutivos(1999 e 2000). A recuperação da produtividade será muito prejudicada porque os tratos culturais têm sido reduzidos em função dos baixos preços do café. Os crescimentos de produção estarão concentrados nos Estados da Bahia (+40%), Rondônia (+14%) e Espírito Santo (+3%).
A safra de café 2000/2001, colhida entre maio e novembro deste ano, será de 31,1 milhões de sacas, o que significa um aumento de 7,6% em relação à primeira previsão, divulgada em dezembro de 1999, que indicava a colheita de 28,9 milhões de sacas. Se não tivessem ocorrido a seca, que provocou um déficit hídrico de até 300 mm em algumas áreas do sul Minas Gerais, e a geada, que também atingiu a região Centro-Sul, a colheita poderia sido de 40 milhões de sacas, segundo informou Samico.
Ele explicou que a geada fez com que aumentasse o percentual de cafés preto/verdes e o atraso da colheita gerou mais café de varrição. Com isso, a disponibilidade de cafés de melhor qualidade para exportação foi reduzida em 5%.
Desta vez a previsão da Embrapa não derrubou os preços do produto. Até ontem, pelo menos, o mercado manteve seu rítmo de queda dos últimos meses. Os comerciantes acham que a previsão veio tarde de mais e pegou os preços em terreno de forte declive, de difícil reversão.


