Embrapa pesquisa variedades de grevíleas e pinus
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de dezembro de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está desenvolvendo pesquisas que poderão resolver o problema do ''apagão'' no setor madeireiro, que estima que o suprimento de pinus do Brasil vai acabar em cinco anos. A Embrapa Florestas, com sede em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, quer oferecer sementes especiais de grevílea a partir do primeiro semestre de 2003 e de pinus dentro de quatro anos. As novas espécies podem produzir volume de madeira até três vezes mais do que as utilizadas atualmente.
A grevílea, importada da Austrália, está sendo cultivada em nove áreas do Paraná e São Paulo desde 1992. De acordo com o coordenador dessa pesquisa, Emerson Gonçalves Martins, a árvore é de múltiplo uso, e pode ser usada tanto para sombreamento de lavouras como na indústria moveleira. Foram importadas 126 progênies (sementes selecionadas) e 20 procedências, que já se desenvolveram e estão produzindo sementes. ''As progênies produzem de duas a três vezes mais de volume de madeira do que as que a gente tem no Brasil'', relatou.
A indústria moveleira atualmente não utiliza a grevílea. Segundo Martins, essa árvore está gerando sementes estéreis porque não há mais variação genética. Ele disse que as novas grevíleas vão ser uma boa alternativa para o pinus. ''Na Europa, a grevílea é conhecida como carvalho prateado'', relatou. As sementes melhoradas aceleram também o crescimento. Martins disse que as novas plantas podem atingir a idade de corte com 15 anos, sendo que as atuais só chegam a essa fase com 25 anos. ''Com a semente melhorada, podemos produzir maior volume de madeira e com formas melhores, deixando a tora mais reta, o que reduz as perdas'', acrescentou.
A Embrapa Florestas também está trabalhando com espécies de pinus tropical, mas as sementes só devem ser disponibilizadas daqui a quatro anos. O pesquisador Jarbas Yukio Shimizu disse que já foram selecionadas as procedências mais promissoras para o Brasil e que agora elas vão passar por processo de clonagem e de cruzamento.
O pomar do pinus será implantado em Capão Bonito, interior de São Paulo. De acordo com Shimizu, o cerrado brasileiro tem um grande potencial para o cultivo de pinus tropical e, por isso, será uma região importante de suprimento. Atualmente, a indústria madeireira usa pinus subtropical, da Região Sul, mas muitas áreas já foram devastadas. ''O nosso objetivo é oferecer material genético básico. O corte deve ser feito com a mesma idade de hoje, mas o importante é que as novas sementes vão produzir um volume muito maior de madeira'', afirmou.


