Embrapa muda para atender ''excluídos da tecnologia''
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sábado, 05 de abril de 2003
Reportagem Local 
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai ampliar suas linhas de pesquisas para contemplar projetos que atendam às necessidades da agricultura familiar. Embora a instituição venha atuando com eficiência, haverá mudanças para atender ao enfoque do atual governo. O número de produtores (de alimentos de consumo interno) excluídos dos benefícios da tecnologia é muito grande para continuar como está.
A informação é do presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, que esteve em Londrina sexta-feira, acompanhando o ministro da Agricultura na sua visita à Exposição. Entre 3,5 a 4 milhões de famílias rurais enfrentam dificuldades que poderiam ser solucionadas com o uso da tecnologia; muitas dessas famílias não têm infra-estrutura mínima para produzir. No entanto, têm potencial.
Essa agricultura familiar, à margem das conquistas tecnológicas, responde por 35% da produção dos alimentos que vão para a mesa do brasileiro. Segundo Clayton Campanhola, 85% dos estabelecimentos rurais são familiares. Nem todos são carentes; há agricultores familiares que usam alta tecnologia e produção intensiva, principalmente nos três Estados do Sul. Mas a grande maioria não tem acesso à tecnologia gerada pela pesquisa. Ou a tecnologia que elas precisam ainda não foi pesquisada.
No bojo do novo enfoque, o presidente da Embrapa entende que deve haver uma atuação mais eficaz do sistema de assistência técnica e extensão; e políticas públicas estaduais e municipais que contemplem a produção local de alimentos. Mas os produtores têm que se organizar, segundo Campanhola. Neste aspecto, está prevista uma maior aproximação com os municípios.
Segundo o presidente da Embrapa, muitos municípios brasileiros são grandes produtores de grãos, mas não têm políticas públicas que contemplem a autosuficiência na produção de alimentos. São exportadores de soja, mas ''importam'' arroz, feijão e legumes de outros Estados, encarecendo o produto final. A produção local tende a baratear custos, diversificar a atividade e agregar valores.


