Embrapa e Bayer se unem contra ferrugem-asiática
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terça-feira, 13 de setembro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a multinacional alemã Bayer anunciaram nesta semana em Londrina a formalização de uma parceria para buscar soluções à crescente resistência de fungos a produtos químicos usados no combate a doenças na soja. Os estudos se dividirão em dois campos, que são a identificação de pontos no genoma dos fungos para aumentar a sensibilidade a defensivos e o desenvolvimento de cultivares de soja menos suscetíveis a doenças.
O projeto durará cinco anos e tratará dos fungos Corynespora cassiicola (causador da mancha-alvo) e Phakopsora pachyrhizi (responsável pela ferrugem-asiática-da-soja). Ambos causam prejuízo estimado em US$ 2 bilhões por safra na colheita de soja, tanto pelos gastos com fungicidas quanto pelas perdas que provoca.
Entretanto, mais do que o valor financeiro, a pesquisa é de segurança nacional, para o pesquisador Maurício Meyer, da Embrapa Soja. "A agricultura é a base do PIB nacional e 40% vem da soja", diz. Ainda, ele afirma que há risco de perda do controle sobre as doenças, caso ocorram avanços no manejo e no efeito dos fungicidas. "Paraguai e Bolívia são dois países que sofrem com uma perda de eficácia dos fungicidas de forma muito rápida por problemas como falta de um vazio sanitário, aplicações mal feitas ou uso indiscriminado dos produtos", completa.
Ele conta que a ferrugem-asiática-da-soja, o maior problema na cultura nacional hoje, surgiu há 14 anos e passou a ser tratada com fungicidas, que começaram a ter eficácia menor a partir de 2008. A doença é mais prejudicial à cultura no Brasil do que nos Estados Unidos, por exemplo, porque se desenvolve melhor em climas quentes e úmidos. Com a ferrugem, a planta tem desfolha precoce, má formação, menor desenvolvimento de vagens e perda de peso do grão. "O agricultor brasileiro já é mais consciente em eliminar a planta no vazio sanitário, mas a chuva e a falta de controle fora da porteira atrapalham, porque temos soja brotando na beira de rodovias e ferrovias", afirma Meyer.
Duas frentes
Além da Bayer e da Embrapa, participam da pesquisa uma instituição pública de pesquisa francesa, duas universidades e centros de pesquisa da multinacional na Alemanha e na França. Inicialmente, o sequenciamento do genoma dos fungos será feito em parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). O motivo é que somente o órgão norte-americano possui equipamentos com capacidade para mapear o genoma do fungo da ferrugem, que chega a ser 15 vezes maior do que o comum, diz Meyer. "Não se consegue fazer um estudo deste tamanho sozinho, só com uma somatória de instituições", diz, ao lembrar que 90% da força de trabalho da Embrapa Soja focará o estudo.
A partir do sequenciamento, será possível comparar os fungos mais antigos, que receberam pouca interferência de fungicidas, com os atuais, mais resistentes, para identificar quais genes garantem a sobrevivência da doença e aprender a neutralizá-los. Na outra ponta, os esforços serão para desenvolver uma cultivar de soja resistente à doença. "Buscamos preservar a eficiência dos fungicidas que estão no mercado por mais tempo, porque os fabricantes dizem que não há previsão do lançamento de novos", cita o pesquisador.
Uma iniciativa de mapear o genoma da ferrugem-asiática não funcionou na década passada, porque não havia equipamentos capazes de fazer a leitura de estrutura tão extensa. Desta vez, o gerente de Desenvolvimento Avançado de Fungicidas da Bayer, Rogério Bortolan, espera que os resultados apareçam em cinco anos. "Com o genoma em mãos, poderemos entender como a perda de sensibilidade ocorre, antecipar estratégias de manejo antirresistência e desenvolver soluções mais eficazes para esse controle", explica, em nota.


