Embrapa discute o futuro da pesquisa agropecuária
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Acostumada a apagar incêndios, a pesquisa agropecuária tem um novo desafio para os próximos 50 anos: antever e planejar o futuro em relação aos problemas que ocorrem na agricultura. Com esse discurso, o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, iniciou ontem em Londrina a 34° Reunião de Pesquisa de Soja (RPS), evento que tem por objetivo discutir os problemas do setor produtivo e metas para pesquisa científica com foco na produção da oleaginosa.
Lopes afirma que as instituições de pesquisas sempre esperaram algo acontecer para agir. "Isso tem que mudar, é necessário inovar", aponta. O presidente observa que o Brasil está preparado para produzir mais e melhor, inclusive com alimentos com um maior teor nutricional. Segundo ele, a ciência, a tecnologia e a inovação devem caminhar em conjunto.
Para dinamizar a ciência no agronegócio, o presidente da instituição destaca que é necessário aumentar a eficiência estratégica e prever possíveis situações que possam ocorrer. "Temos que antever os riscos e desafios do setor". Para que isso aconteça, ele acrescenta que a participação do agricultor no setor de pesquisas é fundamental para dinamizar os estudos.
Contudo, a comunicação entre pesquisa e produtor ainda possui uma grande lacuna que deve ser resolvida. Lopes destaca que há uma carência nos trabalhos de extensão porque falta mão de obra especializada. A Embrapa possui em todo o Brasil 2,5 mil agricultores parceiros, número considerado muito baixo. O presidente da instituição avalia que a recém-criada Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) poderá agilizar o processo.
Desafios
O evento também pautou outros desafios no setor de pesquisas, como barreiras sanitárias, qualidade de produção e questões ambientais. "A sustentabilidade está dentro da nossa agenda, principalmente com a integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF)", descreve o presidente da Embrapa.
Lopes destaca que a partir de agora a agricultura brasileira precisa crescer verticalmente, ou seja, elevar a sua produtividade. "Essa é uma maneira de lidarmos com uma economia mais competitiva e, ao mesmo tempo, reduzir a emissão de gases que causam o efeito estufa", observa.
Durante a abertura da reunião, autoridades do agronegócio citaram o principal desafio do agronegócio que é atender o crescimento da população mundial. Segundo dados fornecidos pela Embrapa, até 2050 o planeta terá mais 2,3 bilhões de pessoas. Para dar conta dessa demanda, a produção de alimentos tem que crescer em torno de 70%, cabendo à pesquisa um grande desafio, principalmente no aumento da produção de soja.
Atualmente, segundo dados do USDA (ministério da agricultura americano), a produção mundial de soja é de 283,873 milhões de toneladas em uma área de plantio de 113,049 milhões de hectares. O Brasil, segundo dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), é o segundo maior produtor da oleaginosa no mundo, perdendo somente para os Estados Unidos (89,407 milhões de toneladas).
A produção brasileira neste ano está estimada em 85,656 milhões de toneladas em uma área cultivada de 30,135 milhões de hectares. O maior estado produtor da oleaginosa é o Mato Grosso com 26,442 milhões de toneladas, seguido do Paraná com 14,774 milhões de toneladas, dados da última safra de verão.


