Oficina sobre Agricultura e Sistemas Alimentares em Nutrição em Brasília debateu a falta de dietas de qualidade no País
Oficina sobre Agricultura e Sistemas Alimentares em Nutrição em Brasília debateu a falta de dietas de qualidade no País | Foto: Divulgação Embrapa



Brasília - Reunindo pesquisadores, agentes políticos, profissionais especializados e membros governamentais, a Embrapa realizou ontem, em sua sede em Brasília, uma oficina sobre Agricultura e Sistemas Alimentares em Nutrição, promovida pelo Painel Global em parceria com a instituição de pesquisa. Esta é a primeira vez que o País sedia o evento, que já ocorreu em Londres e Nova Déli, na Índia, ambos no ano passado.

O principal objetivo do evento foi discutir a falta de dietas de alta qualidade nos mais diversos territórios mundiais, o Brasil, e encontrar soluções - incluindo políticas públicas e pesquisas - para melhorar a nutrição. Hoje o País vive um paradoxo: de um lado tem a expectativa de produzir 227,9 milhões de toneladas na safra 2016/17, segundo a Conab, e é considerado um dos principais players para alimentar o mundo. Mas do outro lado a qualidade nutricional ainda é considerada ruim, longe de um desempenho importante comparado à produção de alimentos. O Painel Global é um grupo mundial independente que possui membros de diversas áreas e trabalha em busca de superar desafios da alimentação e segurança nutricional.

O presidente da Embrapa e um dos 11 membros do Painel Global, Maurício Antonio Lopes, salienta a importância de relacionar a alimentação e nutrição sob a ótica da pesquisa agropecuária. "O Brasil contribui para alimentar cerca de 1 bilhão de pessoas em 150 mercados do globo. Mas apesar desse avanço, temos que reconhecer que o aumento da produção e da disponibilidade de alimentos nem sempre conduziu as dietas de qualidade".

Subnutrição
Os problemas são os mais variados possíveis, envolvendo por exemplo a subnutrição, deficiência de micronutrientes e obesidade. "O custo estimado da má nutrição alcança 5% do PIB global, US$ 3,5 trilhões ou US$ 500 por pessoa. No Brasil temos enfrentado uma dupla carga, com crescentes problemas de excesso de peso e do outro lado desnutrição nas regiões mais pobres".

A diretora do Painel Global, Sandy Thomas, destaca que as Nações Unidas proclamaram que 2016-2025 é a Década de Ação sobre Nutrição. "Precisamos mudar o foco do rendimento (de produção) para a nutrição. Não basta alimentar, mas nutrir as pessoas. O Brasil pode ser uma liderança neste sentido, se tornando um exportador responsável, o que acho que ainda não está acontecendo. É uma nova perspectiva quando tratamos de negócios éticos".

A consultora internacional com foco em nutrição na agricultura e membro do Painel Global, Emmy Simmons, apresenta números preocupantes. "Hoje a desnutrição afeta uma em três pessoas, e no futuro deve ser uma em cada duas. A dieta inadequada é o principal fator na geração de doenças. O que nossas pesquisas apontam é que mesmo quando a produção agrícola e renda aumentam, as dietas não melhoraram automaticamente". (O jornalista viajou a convite da Embrapa)

mockup