O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alberto Portugal, disse ontem que a sociedade brasileira e o governo precisam criar mecanismos legais para impedir a formação de cartéis ou oligopólios na área agrícola como o que vem ocorrendo com a produção de sementes. Segundo ele, 95% da produção de sementes de milho, por exemplo, ficarão concentrados com três ou quatro empresas, o que é indesejável para o País. ‘‘Precisamos tratar deste assunto com seriedade’’, avisou. A concentração de empresas produtoras de sementes também já começa a incomodar parlamentares que defendem a agricultura no Congresso Nacional.
O deputado Xico Graziano (PSDB-SP), ex-secretário de
Agricultura de São Paulo, disse que é ‘‘preocupante’’ o movimento que vem sendo feito pelas multinacionais de sementes, e também de fertilizantes no País, com a compra das pequenas empresas locais que atuam nesses setores. ‘‘O governo precisa buscar mecanismos maios fortes para garantir a produção agrícola’’, acredita o deputado.
Ainda durante café da manhã realizado ontem em comemoração aos 26 anos da Embrapa, Portugal, defendeu o plantio de plantas transgênicas no País, afirmando que é preciso não estigmatizar a tecnologia de transferência genética que tem um potencial de benefícios muito grande para a sociedade. ‘‘A Embrapa entende que os transgênicos representam uma tecnologia para a produção de plantas mais resistentes a doenças e pragas e com maior qualidade proteica’’, afirmou.

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