Embrapa de Londrina é a melhor do País
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de agosto de 2003
Osmani Costa<br> Reportagem Local 
Criado em abril de 1975, o centro da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Londrina conta atualmente com 301 funcionários, dos quais 74 são pesquisadores, na sua quase totalidade com diploma de doutorado ou mestrado. Uma das 40 unidades da empresa federal espalhadas pelo Brasil, ela é denominada Embrapa-Soja porque tem como objetivo principal pesquisar sementes e viabilizar tecnologias para o desenvolvimento sustentável da soja, do girassol e do trigo; além de gerar, adaptar e transferir conhecimentos ao produtores, cooperativas e empresas.
No mês passado, a direção nacional da Embrapa que é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou, em Brasília, que a unidade de Londrina foi no ano passado a melhor do País; porque foi a que deu a maior contribuição efetiva para a produção quantitativa e qualitativa do sistema. O método interno de avaliação da Embrapa leva em conta através de metas, objetivos e índices previamente definidos a produção científica, o desenvolvimento de tecnologias e suas transferências ao público alvo.
Em 2001, a Embrapa-Soja havia sido considerada, pela primeira vez, a unidade mais eficiente e de melhor índice de desempenho institucional entre as 40 em funcionamento no País. No ano anterior, a Embrapa de Londrina ficara em segundo lugar. O engenheiro agrônomo com pós-doutorado em solos e microbiologia na Universidade da Carolina do Norte (Estados Unidos) Caio Vidor, ex-professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, veio de Porto Alegre há quase quatro anos para ser chefe-geral da Embrapa-Soja.
Folha Como vocês da Embrapa-Soja receberam o anúncio de mais este prêmio nacional?
Vidor Com muita alegria. Ele representa o reconhecimento da qualificação e da competência de nosso corpo técnico e de todo o nosso quadro de funcionários. E significa que nossos pesquisadores estão comprometidos com os avanços tecnológicos, com a gestão organizada, com a qualidade e quantidade de pesquisas e serviços prestados ao nosso público. O prêmio é muito bom para a imagem da Embrapa-Soja e para a auto-estima de todos que trabalham aqui; estamos orgulhosos de fazer parte desta unidade.
Folha Quais são os principais resultados da Embrapa-Soja nos últimos anos?
Vidor Para pesquisar, desenvolver, testar, registrar e lançar uma nova semente leva, em média, de 8 a 12 anos. Nosso trabalho é desenvolver cultivares cada vez mais adequadas às nossas condições, mais resistentes às pragas e doenças, e mais produtivas. Nos 28 anos de funcionamento, a Embrapa-Soja desenvolveu geneticamente cerca de 200 cultivares de soja, girassol e trigo. Atualmente, estas cultivares respondem por 60% da produção nacional de sementes de soja.
Folha Mas a Embrapa-Soja não trabalha somente com a pesquisa de sementes?
Vidor Não. Trabalhamos também na adaptação e aperfeiçoamento de máquinas e equipamentos utilizados para o manejo e adubação de solos, para o manejo integrado e controle de pragas, para o plantio, acompanhamento e colheita de soja, milho, trigo, sorgo, girassol, arroz, feijão e outros produtos. Algumas destas atividades realizamos em parceria com outras unidades da Embrapa e diferentes estados brasileiros e com empresas outras empresas públicas e privadas.
Folha E como os resultados dos estudos, pesquisas e experiências da Embrapa-Soja são levados ao agricultor?
Vidor De várias maneiras, como a publicação livros, documentários em vídeo, revistas, boletins, comunicados técnicos, artigos e reportagens em toda a mídia. Mas nossas tecnologias são transferidas, principalmente, por meio da realização de cursos, palestras, unidades demonstrativas, outros eventos e dias de campo. Para se ter idéia do nosso alcance, basta dizer que em 2002 realizamos mais de mil cursos, cerca de 1.600 palestras e 95 dias de campo. Entre janeiro e março deste ano, em parceria com a Fundação Meridional nos estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina realizamos 72 dias de campo sobre soja, nos quais estiveram presentes mais de 38 mil agricultores e técnicos.
Folha A saúde finançeira do governo federal não anda bem há anos. Isto não tem afetado o orçamento da Embrapa? E dentro deste contexto, qual é a importância que as parcerias da empresa têm desempenhado?
Vidor Lógico que as dificuldades financeiras da União afetam a Embrapa nacional, que tem seu orçamento cerca de R$ 650 milhões por ano dentro do orçamento geral do Ministério da Agricultura. Temos consciência que o Brasil, apesar de contar com 12º maior PIB mundial, ainda é um país pobre; e que destina apenas 0,8% do seu PIB para pesquisas de desenvolvimento científico e tencológico. Apesar disto, a Embrapa por desempenhar um importante papel para a economia nacional é uma das poucas empresas estatais que conesguiu crescimento real em seu orçamento nos últimos dez anos. Agora, as parcerias são fundamentais para a Embrapa. Sem elas, não conseguiríamos desenvolver nosso programa de pesquisas na mesma velocidade e com a mesma quantidade de resultados positivos. Na unidade de Londrina, as oito principais parcerias contribuem, indiretamente, com quase o dobro do valor do nosso orçamento anual de custeio e investimento.


