Agrônomos e pesquisadores agropecuários aproveitaram a manhã ensolarada de ontem em Londrina para ver, em campo, técnicas mais eficientes de produção de soja desenvolvidas pela Embrapa Soja e também para conhecer a nova tecnologia lançada recentemente pela instituição. Com temas relacionados ao uso adequado de adubos e fertilizantes, a escolha da variedade correta para determinado tipo de clima e solo, além de instruções básicas sobre manejo, diversas pessoas de instituições públicas e privadas puderam ouvir dos próprios pesquisadores o que a ciência tem proporcionado de benefícios para o produtor.
Porém, o ponto forte do evento foi a apresentação da nova variedade de soja BRS 360 RR, lançada oficialmente no Show Rural Coopavel, que ocorreu no início de fevereiro em Cascavel. Com ciclo precoce que varia de 115 a 120 dias, a tecnologia é indicada para quem trabalha com milho segunda safra. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Soja, Divania de Lima, se plantada no início de outubro, por exemplo, a variedade já estará pronta para a colheita na primeira semana de fevereiro. Outro diferencial da nova tecnologia, acrescenta a especialista, é que ela não necessita de dessecação, poupando tempo e dinheiro do agricultor.
Estudos ministrados pela Embrapa apontam que quando a média de produtividade da tecnologia é comparada com outras tecnologias disponíveis no mercado, os resultados em rede de ensaio foram muito satisfatórios, apresentando volume superior às demais variedades. Desenvolvida em convênio com a Fundação Meridional, a oleaginosa chegou a alcançar a marca de 4.376 quilos por hectare. De acordo com a pesquisadora da Embrapa, a cultivar já está disponível para ser plantada na safra 2013/14.

Assistência
Divania completa que um dos principais objetivos do dia de campo é mostrar os trabalhos da Embrapa. "Queremos dar opções aos produtores", completa. A pesquisadora revela que o foco da instituição não é vender sementes, mas mostrar ao agricultor o melhor caminho para que ele tenha uma produção de qualidade. "Damos ao produtor a oportunidade de realizar a melhor escolha", completa.
A especialista sublinha que antes de fazer qualquer ação em uma área, o agricultor deve conhecê-la primeiro. Divania destaca que para cada tipo de solo é necessário uma preparação diferente. "Nem sempre a novidade é a melhor opção, sendo que a variedade deve se adequar ao sistema de produção", esclarece a pesquisadora. Outro assunto discutido em uma das tendas espalhadas no campo experimental da Embrapa foi o processo de fixação de nitrogênio por meio de bactérias, manejo que tem dado bons resultados nos testes realizados pela entidade.
De acordo com informações divulgadas pelos pesquisadores da Embrapa, por meio de sua equipe de comunicação, a fixação biológica do nitrogênio, processo que ocorre com a inoculação de bactérias denominadas rizóbios, garante um incremento médio de 8% na produção anual de grãos e, segundo a instituição, dispensa o uso de adubação nitrogenada mineral. O fornecimento de nitrogênio através da fixação biológica é, segundo o corpo técnico da entidade, uma conquista estratégica e um diferencial para a sustentabilidade econômica e ambiental da cultura da soja brasileira, por ser uma fonte barata e não poluente.

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