Embraer quer comprar grupo estatal português
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quarta-feira, 04 de agosto de 2004
Roberto Godoy<br> Agência Estado 
São Paulo - Dois dias depois da vitória da Embraer na concorrência ACS, do Pentágono, para fornecimento de 58 aviões de vigilância e inteligência ERJ-145 para o Exército e a Marinha dos Estados Unidos, o presidente da empresa, Maurício Botelho revelou ontem à Agência Estado que em 2005 a corporação ''vai entrar na União Européia e vai fazê-lo com identidade local''. O acesso será feito por meio da compra do grupo estatal português Ogma Indústria Aeronáutica S.A., cujo controle está sendo negociado por ajuste direto pelo Ministério da Defesa de Portugal.
O processo de privatização, na proporção de 65% do capital, será concluído até o fim do ano. O governo vai manter participação estratégica no grupo pela holding Empordef Pt. Em 2003, o faturamento da organização foi de 100 milhões de euros. Há outras quatro corporações interessadas no processo: a americana Lockheed Martin, a multinacional EADS-Casa, da Espanha, a Portugália Linhas Aéreas e a TAP Manutenção & Engenharia. As propostas serão entregues nas próximas semanas na sede da estatal, em Alverca do Ribatejo.
A Ogma tem pouco mais de 1.500 funcionários e um parque industrial de grande porte em Lisboa. Depois de atravessar uma longa crise financeira, voltou a receber contratos em julho do ano passado. O maior compromisso - um negócio de 37 milhões - foi firmado em 20 de abril, para suprir encomendas da Polônia, Suíça, Emirados Árabes, Jordânia e também do Brasil.
O grupo realiza as inspeções da frota do ERJ-145 da Embraer usadas pelas forças aéreas da Grécia e da Bélgica, além das versões civis da Portugália Linhas Aéreas. A modernização da frota de caças supersônicos F-16 Falcon, da Força Aérea de Portugal (FAP), está sendo cumprida em Alverca do Ribatejo.
Sobre o Pentágono, Botelho disse que vencer a concorrência, atendendo aos elevados padrões de exigência do Pentágono, ''põe a Embraer em um patamar mais elevado e muito seleto''. Até agora, praticamente só produtores estrangeiros tradicionais, como os ingleses, haviam sido qualificados como fornecedores das forças armadas dos Estados Unidos'', disse ele. ''A partir disso, as possibilidades são infinitas'', sustentou. Ele explicou que serão criados 200 empregos na linha de montagem que será instalada em Jacksonville, na Flórida.


