Embraer lancará em 2004 aeronaves comerciais
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sábado, 29 de novembro de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) pretende colocar no mercado, no primeiro trimestre de 2004, a nova família de aeronaves comerciais: EMBRAER 170 a EMBRAER 190. Os aviões terão capacidade para comportar de 70 a 110 passageiros. Segundo o engenheiro da empresa, Paulo Gastão da Silva, as aeronaves têm tecnologia bastante avançada, capaz de concorrer com empresas como Air Bus e Boeing.
O engenheiro esteve em Londrina, ontem, para participar da palestra ''A Indústria Aeroespacial Brasileira: Situação Atual e Perspectivas'', promovida pela Asssociação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, Delegacia Regional de Londrina (Adesg). Sobre a indústria aeroespacial, Silva explicou que ela está dividida em três áreas: aeronáutica, espacial e indústria de defesa.
A Embraer, de acordo com Silva, no ramo de aviões está entre as quatro maiores empresas do mundo. A receita da empresa nos últimos dois anos foi de aproximadamente US$ 2,5 bilhões. Tem produtos operando em 58 países, e em 34 anos de atuação já entregou mais de 5 mil aviões. Cerca de 90% da produção da empresa são destinadas à exportação. Mas, na parte espacial e na indústria de defesa a situação é diferente.
''Temos indústrias que atuam no setor espacial produzindo partes do sistema, mas não há uma indústria que faça essa integralização'', comentou o engenheiro, informando que a tarefa de integralização fica a serviço do governo. Por outro lado, segundo Silva, para que a indústria se desenvolva, é preciso uma demanda de mercado e a possibilidade de exportação assegurada. Outro ponto que dificulta o desenvolvimento do setor espacial é a falta de investimento do Estado.
Ele disse que o governo brasileiro dispõe de um orçamento de apenas US$ 5 bilhões, por ano, para pesquisas na área, enquanto os Estados Unidos investem cerca de US$ 13 bilhões. Ainda sobre o setor espacial, o engenheiro apontou que o acidente ocorrido na base espacial de Alcântara, no Maranhão, no mês de setembro, pode ajudar nas transferências de atividades para as empresas, descarregando um pouco o Estado, e assim impulsionar o crescimento.
Sobre a indústria de defesa o engenheiro destacou que o Brasil chegou a ser um dos maiores exportadores do setor durante a década de 80. Um dos fatores que contribuíram para a queda de produção dessa indústria foi o orçamento do governo, destinado para a compra desses equipamentos, que foi diminuindo ano a ano. Além disso, na opinião dele, o Estado precisa promover os produtos nacionais pelo mundo.
A Embraer, junto com outras quatro empresas internacionais, estar participando de uma concorrência para a venda de aviões de caça para o governo. Se for vencedora, a empresa vai entregar no primeiro semestre de 2004, 12 aeronaves F-X. O orçamento do governo para o contrato é de US$ 700 milhões.


